Primeira votação na ONU afunda candidatura de Macky Sall

O antigo Presidente do Senegal, Macky Sall, sofreu um revés na primeira votação indicativa secreta do Conselho de Segurança das Nações Unidas para a escolha do próximo secretário-geral da organização. O resultado do escrutínio coloca o candidato senegalês em desvantagem na corrida à sucessão de António Guterres e reforça a percepção de que os Estados-membros privilegiam, nesta fase, candidatos oriundos da América Latina.
A votação, de carácter não vinculativo, constitui o primeiro teste político às candidaturas apresentadas e permite avaliar o nível de apoio de cada concorrente junto dos quinze membros do Conselho de Segurança.
Segundo os resultados divulgados, Macky Sall obteve seis votos favoráveis, sete desfavoráveis e duas abstenções, um desempenho considerado insuficiente para o colocar entre os favoritos. Apesar de a votação não eliminar qualquer candidato, analistas diplomáticos consideram que o escrutínio representa um sério obstáculo às aspirações do antigo chefe de Estado senegalês.
O cenário revelou-se ainda mais desfavorável para o ugandês Olara Otunnu, antigo diplomata das Nações Unidas e ex-secretário-geral adjunto durante o mandato de Kofi Annan. O candidato reuniu apenas dois votos favoráveis, cinco desfavoráveis e oito abstenções, evidenciando a reduzida receptividade à sua candidatura.
Nos meios diplomáticos prevalece o entendimento de que a sucessão de António Guterres deverá respeitar o princípio da rotação geográfica, favorecendo uma personalidade da América Latina. Paralelamente, cresce a expectativa de que, pela primeira vez na história da organização, uma mulher possa assumir o cargo de secretário-geral.
Esta combinação de factores tem reduzido o espaço político para as candidaturas africanas, apesar do apoio manifestado pelos respectivos países.
Entre os nomes que surgem melhor posicionados encontram-se Rebeca Grynspan, actual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a antiga ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiana, Carolyn Rodrigues Birkett, e Rafael Grossi, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
Ainda assim, o processo permanece em aberto. Nas próximas rondas de votação, a possibilidade de veto por parte de um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança poderá alterar o equilíbrio da disputa e reabrir negociações em torno de candidaturas alternativas.


