Juba – A Agência das Nações Unidas para os Refugiados alertou, hoje, para o facto de mais de 650 mil refugiados e requerentes de asilo no Sudão do Sul poderem perder o acesso a assistência vital, nomeadamente alimentar, por falta de financiamento externo.
Juba – A Agência das Nações Unidas para os Refugiados alertou, hoje, para o facto de mais de 650 mil refugiados e requerentes de asilo no Sudão do Sul poderem perder o acesso a assistência vital, nomeadamente alimentar, por falta de financiamento externo.
"Sem financiamento imediato e urgente, a última assistência alimentar e nutricional destinada aos 240 mil refugiados mais vulneráveis será disponibilizada em Setembro, cortando uma linha de apoio essencial a centenas de milhares de pessoas que já vivem no limite", afirmou.
Em nota conjunta, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) comunicaram que "estes são os últimos refugiados dos 650 mil que recebiam apoio alimentar em todo o país".
De acordo com as agências humanitárias, uma interrupção da ajuda essencial teria consequências imediatas e duradouras para centenas de milhares de famílias refugiadas, incluindo um aumento do risco de subnutrição, exploração e abusos contra mulheres e crianças.
"O ACNUR está particularmente preocupado com o risco de novos movimentos transfronteiriços, à medida que as pessoas procuram alimentos e assistência", indicou.
Este alerta surge numa altura em que os conflitos na região, particularmente o sudanês, continuam a obrigar pessoas a atravessar fronteiras para países vizinhos em busca de alimentos, abrigo e segurança.
No Sudão do Sul, chegam semanalmente milhares de refugiados um número que pode ascender aos três mil vindos do vizinho Sudão, em guerra desde 15 de Abril de 2023, o que "pressiona ainda mais os recursos humanitários, já sobrecarregados".
O PAM enfrenta um défice imediato de financiamento de 37 milhões de dólares (cerca de 32 milhões de euros ao câmbio actual) para a resposta destinada aos refugiados e uma falta de financiamento global de 258 milhões de dólares (cerca de 223 milhões de euros) para o restante de 2026, ameaçando a assistência vital a 4,2 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar em todo o país, salientou.
Entretanto, o ACNUR garantiu apenas 28% dos 286 milhões de dólares (cerca de 246 milhões de euros) necessários este ano para manter as principais acções de protecção e assistência destinadas a quase quatro milhões de refugiados, deslocados internos, pessoas que regressaram ao país e comunidades de acolhimento vulneráveis.
Esta crise de financiamento ocorre no contexto de uma das mais graves emergências alimentares do mundo. Mais de 7,8 milhões de pessoas no Sudão do Sul - mais de metade da população enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar aguda, enquanto 2,2 milhões de crianças sofrem de subnutrição aguda.
O Sudão do Sul o país mais novo do mundo, fundado em 2011continua a manter uma política de portas abertas para os refugiados, apesar de enfrentar os seus próprios desafios humanitários e de desenvolvimento.
Muitas famílias refugiadas já estão a fazer refeições menos frequentes e mais pequenas, a pedir dinheiro emprestado para comprar alimentos, a vender os poucos bens que possuem e a reduzir as despesas com saúde, educação e abrigo, alertaram as agências. AM




