O ministro da Defesa da Somália, Ahmed MoallimFiqi, apelou aos governos para não pagarem resgates aos piratas que mantêm embarcações em cativeiro ao largo da costa do país, alertando que tais pagamentos financiariam mais actividades criminosas e incentivariam mais apreensões de navios.
O ministro da Defesa da Somália discursava na Conferência Nacional de Segurança Interna, que decorre em Mogadíscio e se centra no reforço das instituições de segurança do país e na sua preparação para assumir uma maior responsabilidade pela segurança nacional.
“A pirataria é, de facto, um dos desafios que a Somália enfrenta e tem aumentado nos últimos tempos”, disse Fiqi. “Cada pagamento feito a piratas continuará a financiar esta actividade criminosa. Isto encoraja-os a continuar com tais actos e a apreender outras embarcações”, acrescentou.
Disse que as forças somalis, que trabalham com a Turquia, particularmente as suas forças navais, resgataram recentemente uma embarcação que estava a ser mantida em cativeiro por piratas no distrito costeiro de Eyl. “A embarcação foi libertada e os piratas foram derrotados”, disse.
Reconheceu que os membros da tripulação de algumas embarcações ainda estão a ser mantidos a bordo, mas afirmou que a Somália não irá negociar com os seus sequestradores. “Sabemos que há tripulações a serem mantidas em navios e barcos, mas não podemos financiar os piratas”, disse. “A pirataria não pode ser combatida, apenas, com policiamento”, alertou.
Fiqi esclareceu que a Somália atingiu um estágio importante nos seus esforços para assumir uma maior responsabilidade pela sua própria segurança. “Passámos por um período importante. O mundo tem-nos ajudado, mas só nos pode ajudar por um período limitado”, disse. “Hoje, o mundo enfrenta uma série de crises diferentes”, realçou.
Disse que a conferência deveria produzir um plano nacional prático, reunindo o Governo e as instituições de segurança da Somália para lidar com o difícil ambiente de segurança do país. “É essencial que, no final desta conferência, seja produzido um plano através do qual o nosso país e as suas instituições possam trabalhar em conjunto; um plano que aborde a difícil situação nacional”, realçou.
Forças Gorgor concluem treino militar
As forças especiais Gorgor também concluíram com sucesso o seu treino militar, informou o ministro da Defesa da Somália. “Estas e outras forças estão a ser rigorosamente preparadas com um objectivo claro: sermos capazes de garantir a nossa própria segurança nacional”, sublinhou.
Ahmed Fiqi precisou que a Somália quer evitar um cenário em que anos de apoio e investimento internacional não produzam ganhos duradouros. “Estamos a preparar-nos para sermos autossu- ficientes na nossa segurança. Não queremos deixar o mundo que nos apoiou tão bem numa situação semelhante à que aconteceu no Afeganistão”, alertou.
“Os recursos e investimentos alocados a este país não podem terminar sem resultados concretos. Devemos assumir a responsabilidade soberana pela nossa segurança e agradecer aos governos que nos apoiaram e continuam a apoiar”, ressaltou.
O ministro afirmou que as forças somalis estão a caminhar firmemente para assumir uma maior responsabilidade operacional e apelou a uma estreita coordenação entre as instituições do sector.
Fiqi instou o Ministério da Segurança Interna e as restantes forças de ordem pública a assumirem o controlo imediato das áreas desocupadas pelas forças militares, evitando assim quaisquer falhas de segurança.
Paralelamente ao processo de transição militar, forças leais a um governador deposto do Estado do Sudoeste da Somália lançaram um novo ataque contra uma cidade estratégica, mas foram repelidas pelas tropas governamentais e por residentes locais.
Em Março, o Governo Federal tinha enviado tropas para destituir o chefe do Estado do Sudoeste, Abdiaziz Hassan Mohamed “Laftagareen”.
O líder deposto liderou uma tentativa falhada de retomar o poder em Maio e, em Agosto, as suas forças entraram em confrontos directos com as tropas federais pelo controlo da importante cidade de Baidoa.O Ministério da Defesa da Somália acusou abertamente as forças de Laftagareen de se terem aliado aos terroristas do grupo Al-Shabab para atacar a região.



