Sudão suspendeu o recolher obrigatório de dois anos e o estado de emergência anteriormente declarado em Cartum, anunciou o Comité de Coordenação dos Assuntos de Segurança do Governo.
De acordo com os meios de comunicação social sudaneses, o Comité suspendeu o estado de emergência imposto pela primeira vez em 2024, afirmando que os residentes de Cartum poderiam, a partir daí, circular e trabalhar 24 horas por dia.
No entanto, após uma reunião presidida pelo governador de Cartum, Ahmed Othman Hamza, o Comité esclareceu que os postos de controlo de segurança e as patrulhas do Exército continuariam a operar. Recomendou ainda aos residentes que viajassem tarde da noite que portassem documentos de identificação. O Comité proibiu também a entrada de estrangeiros no estado de Cartum - excepto aqueles que possuíssem vistos ou permissões de entrada válidas - por transportes públicos ou privados, incluindo comboios e autocarros. Além disso, alertou os condutores e as empresas de transporte de que os infractores estariam sujeitos a penalizações.
Entretanto, o Sudão rejeitou as acusações de que realizou ataques aéreos em território chadiano, enquanto enfatizou o compromisso com relações estáveis com os seus vizinhos.
O Chade acusou o seu vizinho oriental de perseguir e bombardear um comboio militar a mais de 100 km dentro do seu território, na região de Ennedi, na semana passada. O país afirmou que não houve baixas entre as suas forças, mas o alerta foi elevado ao nível máximo.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Sudão afirmou que as acusações foram feitas sem uma investigação independente. “O Governo da República do Sudão respeita plenamente a soberania da República do Chade, a sua integridade territorial e a segurança das suas fronteiras”, afirmou o Ministério, acrescentando que o Sudão continua empenhado em “relações fraternas, boa vizinhança e interesses comuns” que unem os dois países. O Ministério disse estar “surpreendido com as posições que atribuem categoricamente a responsabilidade às Forças Armadas Sudanesas”.
As Forças Armadas Sudanesas (SAF) estão envolvidas numa guerra civil com as Forças de Apoio Rápido (RSF), um grupo paramilitar, desde Abril de 2023. O conflito já fez dezenas de milhares de mortos e desalojou cerca de 13 milhões, segundo a ONU.
O Chade já tinha manifestado preocupação com as ameaças transfronteiriças ligadas ao conflito. Os peritos da ONU afirmaram que o Chade tem sido utilizado como rota para o fornecimento de armas de países estrangeiros às RSF, embora o Chade tenha negado as alegações. Em resposta ao alegado ataque com drones, o Chade mobilizou cerca de 100 veículos blindados e camiões com bloqueadores electrónicos perto da cidade de Tine, no Leste do país, junto à fronteira com o Sudão, segundo uma fonte local citada pela Reuters. O Sudão reiterou também o seu compromisso com relações estáveis com o Chade e a Etiópia, defendendo que as questões fronteiriças e de segurança devem ser abordadas através do diálogo directo e da coordenação.
Força de élite destacada para o Nilo Azul
O Exército sudanês anunciou, no sábado, o destacamento de uma brigada para o eixo operacional de Bakori, no Sudeste do estado do Nilo Azul, no meio dos combates com as Forças de Apoio Rápido (RSF). A 4.ª Divisão de Infantaria do Exército, em Damazin, afirmou em comunicado, que a "Brigada de Elite" do serviço de segurança e de informações partiu no sábado de manhã para o eixo de Bakori em missão de combate.
"O destacamento visa reforçar as forças estacionadas na área, aumentar as suas capacidades operacionais e apoiar as operações militares em curso", refere o comunicado. O major-general Ismail al-Tayeb Hussein, comandante da 4.ª Divisão de Infantaria, enfatizou a importância da prontidão, disciplina e preparação para o combate ao despedir-se das tropas.
O anúncio ocorreu um dia depois da visita de Hussein às zonas de Fazogli, no estado do Nilo Azul, após o que o Exército classificou como ataques das RSF e do Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte (SPLM-N). Na sexta-feira, as Forças de Apoio Rápido (RSF) afirmaram ter tomado as bases militares de Bakori e Sarkam, a Sudeste de Damazin, capital do estado do Nilo Azul. O Exército não tinha comentado a alegação até sábado de manhã.



