O empresário português radicado no Brasil, Jorge Neves, fundador de uma empresa de chocolate amazónico, disse à Lusa as novas tarifas impostas ao Brasil pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, tornaram “inviável” as exportações para os EUA.
Com as novas tarifas torna-se inviável”, afirmou, o chefe Jorge Neves, fundador da Warabu Chocolates, à margem de um evento organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), na cidade amazónica de Manaus.
O objectivo agora, frisou, passa por procurar reforçar as vendas no mercado brasileiro e procurar outros mercados da sua empresa, que nasceu em 2018, em Manaus, e que trabalha com o cacau selvagem amazónico, colhido por povos e comunidades tradicionais que mantêm vivo o ‘pulmão do mundo’.
O chefe português, que veio para o Brasil devido à crise económica em Portugal em 2009, contou ainda que cerca de 4% da sua produção tinha como destino os Estados Unidos.
As vendas para os EUA têm vindo a diminuir desde Maio de 2025, quando o Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs uma tarifa adicional de 50% sobre grande parte dos produtos brasileiros, entretanto levantada por decisão judicial.
Washington anunciou, contudo, em Julho, uma tarifa adicional de 25%, como sanção por alegadas práticas comerciais desleais, e outra de 12,5% por o Brasil alegadamente não combater o trabalho forçado.
De acordo com estudos apresentados pelos empresários brasileiros, e divulgados na imprensa local, as novas sanções afectam entre 7,4 e 11 mil milhões de dólares (entre 6,4 e 9,5 mil milhões de euros) em exportações brasileiras, ou seja, entre 18% e 29% do total das vendas do Brasil para os EUA.
Apesar de o Governo do Presidente brasileiro, Lula da Silva, estar a tentar negociar a suspensão das tarifas, as relações bilaterais enfrentam uma crise diplomática, que culminou a 4 de Agosto com a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti.
De forma a colmatar esta situação, na terça-feira, o Brasil lançou um plano para ajudar milhares de empresas afectadas pelas tarifas impostas pelo Governo de Donald Trump às exportações brasileiras, através de acções de promoção comercial em 36 mercados alternativos aos Estados Unidos. Segundo dados do Governo brasileiro, cerca de 5.600 empresas brasileiras foram directamente afectadas pelas novas barreiras comerciais norte-americanas, estando a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) disponível para apoiar até 5.300, distribuídas por 35 sectores estratégicos.
Entre as prioridades estão o Agro-negócio, Alimentos e Bebidas, Calçado e Couro, Máquinas e Equipamentos, Dispositivos Médicos, Fármacos, Materiais Eléctricos e Electrónicos, Têxteis e Confecção, Móveis, Pescado e Pedras, Gemas e Jóias. &




