O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, afirmou que a participação de qualquer grupo armado, como os rebeldes do M23, num diálogo nacional continua a ser impossível enquanto o grupo continuar a pegar em armas contra o Governo.
Num discurso transmitido pela televisão nacional, Tshisekedi disse que o diálogo nacional será uma “iniciativa soberana, concebida por congoleses para congoleses, conduzida em território nacional e orientada exclusivamente para os interesses supremos da Nação”.
O Chefe de Estado congolês acrescentou que o diálogo “unirá os filhos e as filhas do nosso país em torno de um imperativo que transcende os indivíduos, os partidos e as ambições: defender a República, consolidar a paz, preservar a unidade nacional e proteger os nossos interesses estratégicos”. A RDC tem sido repetidamente atingida por conflitos no Leste, uma região rica em minerais, em particular pelo ressurgimento do grupo rebelde M23 desde 2021.
Tshisekedi assegurou: “ninguém será excluído com base nas suas opiniões, críticas, filiação política, origem provincial, língua, etnia ou religião”, mas também advertiu: “ninguém pode reivindicar um lugar à mesa da nação enquanto pega em armas contra ela”. Tshisekedi acrescenta que o diálogo nacional "não será uma negociação com o agressor nem com os seus representantes, nem uma forma indirecta de desafiar a escolha soberana do povo expressa nas urnas. Também não levará à suspensão das instituições da República, que continuarão a exercer plenamente as suas prerrogativas até ao termo constitucional dos seus mandatos".
Os combatentes tomaram vastas áreas de território e o acordo de paz de Dezembro não conseguiu pôr fim aos combates. As consultas demorarão até três meses, afirma o Presidente, acrescentando que o documento resultante será utilizado como base para "conversas nacionais" e um "pacto nacional" baseado na "paz, na unidade nacional e no interesse superior da república".
Entretanto, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, discutiu questões regionais com o seu homólogo rwandês, Paul Kagame, e com o Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, em conversações telefónicas separadas, informou a Direcção de Comunicações da Turquia. Durante a sua conversa com Tshisekedi, os dois líderes discutiram as relações bilaterais entre a Turquia e a RDC.
Erdogan afirmou que a Turquia continuará a tomar medidas para reforçar a cooperação entre os dois países em diversas áreas, particularmente investimento, comércio, indústria de defesa e segurança. Expressou ainda o apoio da Turquia aos processos iniciados para alcançar uma solução duradoura e pacífica para a situação de segurança no leste da RDC.
Progressos na vacinação contra o Ébola
A RDC iniciou, entretanto, a vacinação da população contra o Ébola, numa altura em que as autoridades de saúde trabalham para conter o surto com um crescimento mais rápido da história.
Os profissionais de saúde e outros trabalhadores da linha da frente no combate ao Ébola estão a ser priorizados para receber a vacina Ervebo, que se mostrou eficaz em surtos anteriores causados por um tipo diferente e mais comum da doença. Até terça-feira, a RDC tinha registado 5.713 casos confirmados, incluindo 2.744 mortes, segundo dados do Governo. O surto está concentrado na província de Ituri e é considerado o mais letal dos 17 surtos de ébola ocorridos no país.
O surto está a alastrar em condições extremamente difíceis, alimentado pela insegurança, deslocações, greve dos profissionais de saúde e intensos movimentos populacionais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que continua fora de controlo e está a caminho de ultrapassar o surto de Ébola na África Ocidental de 2014-2016, o mais mortífero de que há registo, que matou mais de 11 mil pessoas, principalmente na República da Guiné, Libéria e Serra Leoa.
A epidemia também se espalhou para o Uganda, onde a OMS declarou o fim da epidemia na quarta-feira, após registar 20 infecções confirmadas, incluindo 15 casos considerados importados da RDC, entre os quais houve duas mortes. Foram recebidas mais de 50 mil doses da vacina Ervebo, segundo a agência de notícias estatal da RDC.



