O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, apelou à Federação Russa para apoiar plenamente a aplicação das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a crise de segurança no Leste do país. A posição foi expressa durante a 3.ª Cimeira Rússia-África, a decorrer em Moscovo.
No seu discurso, o chefe de Estado congolês destacou a necessidade premente de cessação imediata das hostilidades, a retirada do grupo rebelde M23 das zonas ocupadas e a saída das forças militares do Ruanda do território da RDC. Félix Tshisekedi lembrou que a Rússia, na qualidade de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, tem a responsabilidade de apoiar os esforços de mediação e o cumprimento das Resoluções 2773 e 2808, aprovadas por unanimidade.
Além disso, o governante reafirmou o compromisso da RDC em cumprir as suas obrigações internacionais, exigindo igual rigor a todas as partes envolvidas no conflito. Entre as exigências apresentadas, Tshisekedi defendeu a neutralização das Forças Democráticas de Libertação do Ruanda (FDLR) e o fim de qualquer tipo de assistência a grupos armados a operar na região leste.
Processos diplomáticos e exploração de recursos
O Presidente congolês sublinhou igualmente a prioridade concedida à protecção de civis, ao acesso à ajuda humanitária e ao regresso digno e seguro dos deslocados internos e refugiados. Reiterou que a RDC continua empenhada em alcançar uma solução pacífica e duradoura através dos processos diplomáticos de Washington e Doha, articulados com a mediação da União Africana.
Félix Tshisekedi denunciou ainda a exploração ilegal de recursos naturais no Leste do território congolês, indicando que este tráfego ilícito alimenta directamente a violência no país. O estadista enfatizou que os recursos explorados ilegalmente financiam os confrontos militares, impedindo o desenvolvimento económico e social da RDC.
Parceria económica com a Rússia
No plano bilateral, o líder da RDC apresentou as prioridades do seu Governo para reforçar a cooperação económica com Moscovo. Entre as áreas estratégicas destacadas constam o acesso à energia — através do aproveitamento do potencial hidroeléctrico e exploração do nuclear civil —, o desenvolvimento de infra-estruturas, a transformação local de minerais e a segurança alimentar.
Para dinamizar a parceria, Kinshasa propôs a selecção de um número limitado de projectos prioritários viáveis, com garantias de financiamento, prazos definidos e acompanhamento regular, com foco no fornecimento de tecnologia, formação profissional e inclusão do tecido empresarial local.




