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A vitória de Lula da Silva na segunda volta das presidenciais brasileiras não significou apenas um "golpe fatal" nas aspirações de regresso do clã Bolsonaro à presidência, também "matou a Doutrina Monroe" e os "planos de Donald Trump para o Hemisfério Ocidental", conclui Jeremy Adelman, director do Laboratório de História Global da Universidade de Cambridge.
Um revés para Trump, que a uma semana das intercalares de 3 de Novembro enfrenta um nível de impopularidade sem precedentes (apenas 32% apoiam as suas políticas). As sondagens dão 79% de probabilidade de os Democratas conquistarem a Câmara dos Representantes e 57% de recuperar a maioria no Senado, segundo análise do Decision Desk, com base na média de várias sondagens nos EUA.
Se para Adelman, a reeleição de Lula da Silva para o quarto mandato, com 51,79% contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, condenou "ao fracasso" a estratégia de Trump de "desvincular os EUA do resto do mundo e de se refugiar numa fortaleza hemisférica aparentemente controlável", para Paul Krugman, Nobel da Economia de 2008, representa uma "grande derrota" para os oligarcas e mostra que o "Brasil se recusa a ser intimidado".
"A direita global achava que a eleição estava ganha, e até as casas de apostas indicavam a vitória de Bolsonaro. Por isso, foi um choque quando Lula saiu vitorioso", escreveu Krugman, mencionando as tentativas de empresas digitais sediadas nos EUA, em particular a Meta, de influenciarem os resultados.
Os mercados reagiram à vitória de Lula. O Ibovespa, principal índice de referência da Bolsa, abriu a cair 10%, segunda-feira, obrigando a accionar o mecanismo do "circuit breaker", uma pausa nas negociações para acalmar os mercados, e o dólar chegou a valorizar 10% face ao real.
Um dia após as eleições, também começou a intimidação aos votantes de Lula, candidato do Partido dos Trabalhadores, com apelos de bolsonaristas ao boicote a lojas e serviços prestados por "petistas" e empresários a anunciar o despedimento de trabalhadores que votaram Lula, o que desencadeou queixas e um pedido de apuração do Ministério Público do Trabalho.
A viragem "histórica" "Como foi possível?".
A pergunta que mobilizou as conversas após o Tribunal Superior Eleitoral anunciar a "expressiva vitória" de Lula, de 81 anos, com mais 4,4 milhões de votos do que o filho e "sucessor" político do ex- -presidente Jair Bolsonaro. Para o Le Monde Diplomatique, três mobilizações justificam a viragem no segundo turno, feito nunca alcançado por um candidato presidencial: a mobilização de rua, a mobilização das redes sociais e o medo.
Se a rua e as redes sociais passaram a ser palco de mobilização da direita, sobretudo desde 2015, nestas eleições o medo da perda foi o agente mobilizador da esquerda nas ruas e nas redes, graças no primeiro caso ao eleitorado jovem e no segundo a André Janones, deputado federal em Minas Gerais.
"O medo de 2026 foi construído principalmente em torno da possibilidade de perda. Medo de perder benefícios sociais. Medo de perder o Bolsa Família. Medo de perder direitos trabalhistas. Medo de mudanças constitucionais que pudessem comprometer garantias sociais. Medo de retrocessos em políticas públicas", escreve Márcio Ferreira, do Le Monde Diplomatique, . Robert Muggah, do Canadá, e a brasileira Ilona Szabó de Carvalho, co-fundadores do Instituto Igarapé, defendem que a "renovada confiança democrática do Brasil precisa de ser acompanhada por reformas institucionais" e "vontade de construi...




