Angola e a China reforçaram a cooperação geológica com foco nos minerais críticos,nos domínios do financiamento mineiro, serviços geológicos, após a assinatura, em Luanda, de memorandos de entendimento estratégicos entre a Câmara de Comércio e Indústria Geral de Produção Mineira de Angola (CCIGPMA), e o Sichuan Institute of Geological Survey da China.
A assinatura decorreu à margem de um encontro bilateral de alto nível, que juntou a direcção da Câmara e uma delegação oficial do prestigiado instituto chinês, liderada pelo Director-Geral e Secretário do Comité do Partido, Jiang Jun.
Segundo as a Direcção da câmara, o acordo enquadra-se na estratégia de diversificação económica impulsionada pelo Executivo e pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, que visa consolidar Angola no mapa global dos minerais críticos, indispensáveis para a transição energética e tecnológica mundial.
Os memorandos agora rubricados assentam em três eixos estruturantes, que se circunscrevem em reforçar a cooperação entre as duas instituições.
No que diz respeito ao primeiro ponto sobre o financiamento e à compra de produção, o acordo tem como objectivo é estabelecer alianças financeiras sólidas e acordos de off-take que assegurem o investimento na fase de exploração e garantam o escoamento seguro e a valorização comercial dos minerais extraídos nos mercados internacionais.
O segundo eixo está ligado aos serviços geológicos e de produção. De acordo com o que foi assinado, está prevista a transferência de tecnologia de ponta em prospecção, cartografia geológica de alta precisão, modelação de jazigos, sondagem profunda e avaliação exaustiva de recursos, com recurso a processos industriais alinhados aos princípios da mineração verde e ambientalmente sustentável.
O terceiro eixo é dedicado à formação de estudantes e profissionais. Os documentos prevêem programas robustos de capacitação técnica, intercâmbio científico e especialização avançada para jovens talentos e quadros angolanos, envolvendo instituições académicas nacionais como a Universidade Agostinho Neto e as sociedades mineiras que operam no país.
O Sichuan Institute of Geological Survey é uma instituição de referência internacional com décadas de liderança em investigação geofísica, geoquímica e inovação tecnológica no sector mineiro.
A nova dinâmica de cooperação surge numa altura em que projectos âncora ganham tracção no país, como o Projecto de Terras Raras de Longonjo, no Huambo, gerido pela Ozango Minerais S.A. com participação do Fundo Soberano de Angola e da Pensana PLC, considerado um dos maiores depósitos mundiais de óxidos críticos, com escoamento facilitado pelo Corredor Ferroviário do Lobito, e a Mina do Tetelo, desenvolvida pela SSI, que já ultrapassou as 725 mil toneladas de minério lavrado, com projecções de 11 mil toneladas de cobre contido, meta de 13.200 toneladas diárias e criação de 3.600 postos de trabalho locais até 2030.



