Angola e a Namíbia reafirmaram, segunda-feira , em Luanda o compromisso de estreitar a cooperação económica durante o Fórum Empresarial, que reuniu dezenas de investidores e líderes corporativos de ambos os países.
Ao discursar na sessão de encerramento do Fórum Empresarial, destinado ao reforço da cooperação económica bilateral, a Presidente da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah, afirmou que os dois países têm a responsabilidade de expandir o comércio sustentável para gerar empregos e elevar a qualidade de vida dos cidadãos.
Sendo vizinhos estratégicos, a Chefe de Estado considerou fundamental um trabalho conjunto que garanta o aproveitamento pleno dos recursos naturais, transformando-os na base para a industrialização, inovação e prosperidade regional.
Nessa perspetiva, a Estadista defendeu que ambos os países devem expandir as suas capacidades produtivas e posicionar-se como grandes impulsionadores do desenvolvimento regional e continental, tirando partido do Protocolo de Comércio da SADC e da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA).
“A Namíbia e Angola não têm outra opção que não seja diversificar as suas economias, reforçar a capacidade de produção nacional e reduzir a dependência excessiva da exportação de produtos não processados”, pontuou a líder namibiana, sublinhando que ambos os países possuem pontos fortes cruciais para salvaguardar o bem-estar das populações.
Ao dirigir-se a empresários, investidores e representantes institucionais presentes no certame, Netumbo Nandi-Ndaitwah reiterou a abertura da Namíbia à captação de capitais. “Estamos abertos ao investimento e aos negócios. Convidamos-vos a analisar o mercado e a decidir em que sectores estratégicos podemos colaborar para servir, da melhor forma, os povos de ambos os países”, sublinhou a Estadista.
A líder namibiana esclareceu que o objectivo central passa por consolidar a cooperação económica e as parcerias entre os sectores privados de Luanda e Windhoek, garantindo benefícios directos para ambas as populações.
O Fórum Empresarial visou reforçar a cooperação económica e identificar novas oportunidades de investimento nos domínios da logística, transportes, energia e corredores comerciais.
Netumbo Nandi-Ndaitwah manifestou total confiança na comunidade empresarial angolana e namibiana, apontando o evento como a plataforma ideal para partilhar ideias inovadoras, identificar áreas concretas de investimento e desenhar alianças sustentáveis que perdurem além do evento.
A Presidente namibiana defendeu, ainda, um modelo de desenvolvimento inclusivo, com foco particular no crescimento das Pequenas e Médias Empresas (PME), bem como no apoio a mulheres e jovens empreendedores. “A inclusão deste segmento não é uma mera cedência ou consideração social, mas sim uma necessidade económica imperativa”, ressaltou.
Futuro do continente
Em relação ao continente africano, a Chefe de Estado da Namíbia considerou que o futuro da região depende da capacidade da classe política de implementar as reformas certas para impulsionar o ambiente de negócios.
No seu parecer, o estreitamento das relações com a ONU deve servir para robustecer o sector privado em África.Ao olhar para os desafios operacionais, a Presidente apontou a necessidade urgente de garantir o funcionamento das infra-estruturas e postos fronteiriços 24 horas por dia, facilitando a livre circulação de pessoas, serviços e mercadorias.
Destacadas políticas para a protecção do investimento no país
O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, destacou ontem, em Luanda, os esforços do Executivo para melhorar as condições de transparência, concorrência e protecção do investimento no sector empresarial do país.
Durante o encerramento do Fórum Empresarial Angola–Namíbia, o governante apontou o Programa de Privatizações (PROPRIV), por via do qual cerca de 100 empresas passaram para o domínio privado, como uma das iniciativas centrais do Executivo para tornar o ambiente de negócios em Angola mais atractivo.
“Os portos e aeroportos foram modernizados, a malha rodoviária continua a expandir-se, ligando as mais variadas regiões do país”, acrescentou, sublinhando que a legislação financeira angolana foi também adequada aos padrões de referência internacional.
Como resultado dessas acções, José de Lima Massano afirmou que o tecido empresarial angolano “tem vindo a ganhar maior dinamismo”.
“No segundo trimestre deste ano, a economia expandiu cerca de 8,74 por cento em relação ao período homólogo, tendo o sector não petrolífero crescido 9,24 por cento”, salientou.
O Fórum Empresarial decorreu no quadro da visita de Estado de três dias da Presidente namibiana, Netumbo Nandi-Ndaitwah, a Angola para o aprofundamento das relações bilaterais. Na tarde de ontem, os dois países ratificaram oito instrumentos jurídicos de cooperação em diferentes domínios, com destaque para as relações diplomáticas, defesa, cultura, desportos, finanças, pescas, aquicultura e turismo.
Neste contexto, o ministro de Estado para a Coordenação Económica referiu que o Acordo Bilateral para o Estabelecimento e a Implementação de um Posto Fronteiriço de Paragem Única entre Oshikango (Namíbia) e Santa Clara (Angola) representa um “passo concreto de afirmação da vontade política em promover maior integração económica e social”.
De acordo com José de Lima Massano, os agentes económicos dos dois países devem capitalizar os novos acordos “criando mais oportunidades de emprego e maior oferta de bens e serviços”.
Subordinado ao tema “Impulsionar a Industrialização Regional, o Investimento e o Crescimento Sustentável Através de Parcerias Estratégicas Angola–Namíbia”, a iniciativa da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX) ocorreu no quadro da visita oficial da Chefe de Estado namibiana a Angola.




