O cientista político Eurico Gonçalves defende uma gestão justa e coordenada dos recursos hídricos em África, considerando que a água deve servir como instrumento de pacificação e cooperação entre os Estados, em vez de se transformar numa fonte de conflitos.
Em declarações à margem da quarta edição da Bienal de Luanda, o analista fez um balanço positivo dos temas abordados no encontro, com destaque para a governação da água, recurso que, pela sua importância e natureza transfronteiriça, exige mecanismos de cooperação entre os países africanos.
Segundo Eurico Gonçalves, os rios que atravessam diferentes territórios exigem uma gestão partilhada, assente na responsabilidade e na procura de soluções que evitem tensões entre os Estados.
“Olhando para os temas, o tema central é a governação da água, quer dizer que a água, por ser um recurso de muita importância, que não conhece fronteiras, tem-se tornado um conflito”, afirmou.
O cientista político considera que a partilha dos recursos hídricos deve ser feita de forma justa e consciente, de modo a garantir que a água contribua para a aproximação dos povos e para a estabilidade no continente.
Para o analista, a preservação deste recurso para as gerações futuras exige maior consciência dos governos africanos, bem como o recurso à diplomacia, à ciência e à tecnologia para assegurar uma utilização sustentável.
“A diplomacia, as instituições e a parte humana, quer dizer que a triangulação institucional aliada ao factor humano, junto com a água, deverão ser mecanismos para a resolução dos conflitos”, sublinhou.
Como exemplo da necessidade de cooperação transfronteiriça, Eurico Gonçalves referiu o rio Zambeze, cuja gestão exige entendimento entre os países da bacia hidrográfica, tendo em conta a utilização partilhada dos recursos hídricos.
Na perspectiva do analista, a água pode tornar-se motivo de tensão quando é utilizada como instrumento de poder, sem mecanismos que garantam uma distribuição equilibrada e sustentável.
Eurico Gonçalves concluiu que a governação da água deve ultrapassar a dimensão das políticas públicas e assumir-se como uma questão estratégica para a paz, a segurança e o bem-estar das populações africanas.




