A criação da Comissão de Implementação da Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos (CIVICOP) constitui um dos marcos mais relevantes dos dois mandatos do Presidente da República, João Lourenço, considerou o analista político Benjamin Gerard.
Ao fazer uma análise do desempenho e impacto da CIVICOP, o especialista acredita que o projecto representa uma dimensão de reconciliação e memória nacional.
Para o também docente universitário, o processo de localização e entrega dos despojos biológicos carrega um valor estritamente humanitário. “O trabalho da CIVICOP, a identificação e entrega dos restos mortais às famílias e a preservação da memória dos conflitos têm um significado que ultrapassa a política partidária”, sublinhou.
Benjamin Gerard considerou fundamental recuperar a dimensão humana da reconciliação nacional. Para o especialista, “um país que consegue se reconciliar com a sua história cria melhores condições para construir o seu futuro”.
Como exemplo prático, o especialista apontou a construção do Memorial em Homenagem às Vítimas dos Conflitos Políticos. A estrutura é apontada como um dos maiores marcos simbólicos do actual processo de pacificação e reconciliação nacional.
A CIVICOP, criada em 2019 pelo Presidente da República, responde pela coordenação do plano geral de homenagens, localização, exumação e identificação dos restos mortais das vítimas dos conflitos políticos ocorridos em Angola entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002.
Dados divulgados pelo órgão do Estado, coordenado pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, indicam que mais de três mil restos mortais de vítimas de conflitos civis já foram exumados em diversas regiões do país.
Entre os perfis humanos encontrados destacam-se figuras como Nito Alves, Monstro Imortal, Sihanouk, Ilídio Ramalhete e general Eduardo Ernesto Gomes “Bakalof”, Altino Sapalalo “Bock”, Antero Vieira e Ndala Constantino “Assobio da Bala”, entre outros.
Maior vala comumjá encontrada
Em Maio deste ano, a CIVICOP anunciou a localização de uma vala comum com as ossadas de mais de 500 pessoas, no Cemitério do 14, município do Hoji-ya-Henda, em Luanda.
Segundo a Comissão, a localização da vala foi o resultado de cinco anos de investigações técnicas, cruzamento de documentos, depoimentos orais e o uso de equipamentos tecnológicos avançados.




