Lubango - A Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) entregou este sábado os restos mortais do capitão João Francisco de Castro Maltez, à família, para um funeral condigno.
Lubango - A Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) entregou este sábado os restos mortais do capitão João Francisco de Castro Maltez, à família, para um funeral condigno.
O malogrado, natural de Chicomba (Huíla) foi vítima dos conflitos políticos que assolaram o país entre 1975 e 2002, cujos restos mortais foram localizados no município do Lutembo, província do Moxico.
O processo de identificação técnico-científica foi validado por exames de compatibilidade genética (ADN), realizados por especialistas do Laboratório Central de Criminalística.
O acto formal de entrega foi acompanhado pelo coordenador da Subcomissão Técnica da CIVICOP, general Fernando Garcia Miala, um evento que contou, para além da família, com a presença de membros do Governo da Huíla, representantes de partidos políticos, magistrados judiciais, entidades religiosas e membros da sociedade civil.
Ao intervir na cerimónia, a especialista em genética forense e ADN do Laboratório Central de Criminalística, sublinhou o compromisso da CIVICOP na coordenação do processo de identificação genética das vítimas dos conflitos políticos que assolaram Angola entre 1975 e 2002.
Explicou que o trabalho consiste na análise rigorosa do perfil genético dos restos mortais exumados para verificar a sua compatibilidade com as amostras biológicas fornecidas voluntariamente pelos familiares.
No caso específico, a médica forense confirmou que, após a comparação laboratorial e a devida análise estatística, os testes concluíram com sucesso haver compatibilidade genética total entre os familiares directos e as peças ósseas retiradas da província do Moxico.
“Este rigoroso procedimento científico permitiu atestar de forma definitiva a identidade dos restos mortais como pertencentes ao malogrado capitão João Francisco de Castro Maltez”, reforçou.
Apelou a todas as famílias que perderam os seus entes durante os conflitos políticos para que se dirijam às delegações da Justiça, a nível provincial e nacional, pois a recolha de novas amostras biológicas é fundamental para que o laboratório prossiga com o processo técnico de identificação e restituição da dignidade às restantes vítimas.
Por sua vez, Elton Júnior Maltez, filho do malogrado, relatou que a infância do pai foi marcada por hostilidades, mediante os conflitos no país, o que forçou a deslocação do mesmo e da família para o interior de Angola sob condições de adversidade.
O jovem destacou o percurso de superação do pai, e o descreveu como um homem metódico, calmo e disciplinado, que se destacou tanto na vida civil como no sector militar.
Detalhou a progressão da carreira do capitão que exerceu funções de responsabilidade e de campo em províncias de forte instabilidade na altura, como a Lunda Norte, com uma postura de integridade e elevado sentido de liderança.
Para além das suas funções militares, fez saber que o pai era João amador das artes plásticas e as marciais, razão pela qual chegou a alcançar o grau de cinturão negro em Karaté, uma distinção que espelhava o seu elevado auto controlo e força interior.
João Francisco de Castro Maltez nasceu a 21 de Dezembro de 1969, na comuna de Cutenda (Chicomba) e morreu em 2002.
Em 1975, ainda criança, viu a sua vida ser impactada pelo início do conflito armado, o que forçou a deslocação da família para no Norte do país sob condições de adversidade. Em 1992, constituiu família e casou-se, uma união da qual nasceram três filhos.
O seu percurso militar e profissional levou-o a exercer funções de elevada responsabilidade em Kinshasa (RDC) e, posteriormente, nas zonas diamantíferas de Cafunfu (Lunda Norte) e no Andulo (Bié), onde a sua liderança e rigor o fizeram ascender à patente de Capitão.
Morreu em 2002, vítima de doença e a sua última missão foi cumprida na província do Moxico.
Desde início do processo da CIVICOP, em 2019, já foram exumados três mil 108 vítimas em todo o país. Deste número 140 já foram identificadas e entregues às famílias, com destaque para as províncias de Luanda, Huíla, Namibe, Huambo e Bengo. Na Huíla essa foi a primeira entrega, cujo funeral aconteceu na comuna da Huíla (município do Lubango), onde vivem os filhos. EM/MS




