Luanda – As Forças Armadas Angolanas (FAA) assinalam hoje, 9 de Outubro, o 35.º aniversário da sua criação, uma data que evoca o percurso da instituição, o seu papel na defesa da soberania nacional e os desafios da modernização e da preparação dos efectivos para responder às actuais exigências da segurança e defesa do país.
Luanda – As Forças Armadas Angolanas (FAA) assinalam hoje, 9 de Outubro, o 35.º aniversário da sua criação, uma data que evoca o percurso da instituição, o seu papel na defesa da soberania nacional e os desafios da modernização e da preparação dos efectivos para responder às actuais exigências da segurança e defesa do país.
A efeméride constitui, igualmente, uma oportunidade para recordar a trajectória das FAA, cuja criação, em 1991, no quadro dos Acordos de Bicesse, marcou uma etapa importante no processo de constituição de um exército nacional único, com efectivos provenientes das antigas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) e das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA).
O percurso da instituição está, assim, ligado às transformações políticas e militares do país, desde os esforços para alcançar a reconciliação nacional até à consolidação da paz, em 2002, após décadas de conflito armado.
Ao longo destes 35 anos, as FAA assumiram a missão de defender a independência, a soberania e a integridade territorial de Angola, em conformidade com a Constituição e as leis da República.
A celebração ocorre num contexto em que a modernização das capacidades militares figura entre as prioridades do sector da Defesa Nacional, com destaque para o reforço dos meios, a qualificação dos efectivos e a adequação da estrutura militar aos desafios actuais.
Na mensagem alusiva à data, o Presidente da República e Comandante-em-Chefe das FAA, João Lourenço, reafirmou o empenho do Executivo no processo de reestruturação, redimensionamento, reequipamento e rejuvenescimento da instituição.
O processo visa reforçar a preparação dos efectivos e adequar a organização militar às exigências actuais, num cenário internacional marcado por conflitos armados, tensões geopolíticas e novas ameaças à segurança dos Estados.
A dimensão humana por detrás da farda
Em tempo de paz, a actuação das FAA estende-se também ao apoio às comunidades, à assistência em situações de emergência, à formação dos efectivos, à melhoria da assistência médico-militar e à participação em iniciativas de cooperação regional e internacional.
A presença das FAA na sociedade angolana vai além das unidades militares, dos exercícios de preparação operacional e das cerimónias oficiais.
Por detrás dos uniformes, das patentes e das estruturas de comando estão homens e mulheres que assumem responsabilidades exigentes ao serviço do país.
A vida militar exige disciplina, disponibilidade, preparação física e técnica, respeito pelas ordens legítimas e capacidade de resposta perante situações de risco.
A instituição tem contribuído para o desenvolvimento social através de acções de engenharia militar, assistência médica, apoio humanitário e participação em iniciativas destinadas a melhorar as condições de vida das populações.
No domínio das infra-estruturas, os efectivos e os meios de engenharia militar têm participado em trabalhos de abertura e recuperação de vias de acesso, construção e reabilitação de pontes, bem como noutras intervenções destinadas a facilitar a circulação de pessoas e bens.
Estas actividades assumem particular importância nas localidades onde as dificuldades de acesso condicionam o escoamento de produtos agrícolas, a deslocação de doentes e o acesso aos serviços públicos.
Na área da saúde, as estruturas sanitárias militares prestam assistência especializada aos efectivos e aos seus dependentes, enquanto os profissionais de saúde das FAA participam em acções de apoio médico e sanitário.
A capacidade de mobilização de pessoal especializado constitui um recurso importante em situações de emergência e em operações de assistência às populações.
O Executivo tem apostado na requalificação e no apetrechamento de unidades hospitalares militares, bem como na construção de novos hospitais de referência, com o objectivo de reforçar a capacidade de diagnóstico, tratamento e acompanhamento clínico dos efectivos e dos seus dependentes.
Um dos exemplos mais expressivos deste esforço é o Hospital Militar Principal — Instituto Superior, em Luanda, cuja primeira fase de requalificação e ampliação foi inaugurada pelo Presidente da República, João Lourenço, a 4 de Abril de 2024.
A intervenção permitiu disponibilizar dois edifícios de quatro pisos, com capacidade para 160 camas, cinco blocos operatórios e 19 salas de observação.
A unidade passou igualmente a dispor de serviços de urgência, laboratório, farmácia e equipamentos de imagiologia, incluindo ressonância magnética, tomografia axial computorizada, radiografia e ecografia.
Outro eixo do programa de reforço da saúde militar consiste na construção de hospitais regionais. O plano anunciado pelo Executivo prevê unidades em Cabinda, Huambo, Luanda e Moxico, destinadas a melhorar a assistência aos militares e respectivos familiares, bem como a reforçar a rede de saúde militar nas diferentes regiões do país.
A estratégia contempla igualmente hospitais regionais nas regiões Centro, Norte, Sul e Leste.
A intervenção social das FAA manifesta-se também na resposta a calamidades naturais. Em situações de cheias e outras emergências, por exemplo, os militares participam em operações de socorro, transporte de pessoas e bens, distribuição de ajuda e apoio às autoridades responsáveis pela protecção civil.
A formação constitui outra vertente relevante da contribuição social das FAA. As academias e escolas militares asseguram a preparação dos efectivos em áreas técnicas, científicas e operacionais, com destaque para a disciplina, a liderança, a responsabilidade e o domínio dos conhecimentos necessários ao exercício da profissão militar.
No domínio da desminagem, a experiência acumulada pelas estruturas militares angolanas tem contribuído para os esforços de redução dos riscos associados aos engenhos explosivos deixados pela guerra.
A remoção de minas e outros engenhos permite recuperar terrenos para a agricultura, facilitar a circulação das populações e criar melhores condições para a reconstrução das comunidades afectadas pelo conflito.
Estas actividades demonstram que, num país que enfrentou uma guerra prolongada, o contributo das FAA para a paz também passa pela recuperação das condições de vida, pela segurança das comunidades e pelo apoio às instituições civis.
Cooperação internacional e apoio à paz
A missão das FAA ultrapassa igualmente as fronteiras nacionais, através da cooperação técnico-militar, da participação em exercícios conjuntos e do contributo para iniciativas regionais de paz e segurança.
Um exemplo concreto foi a participação de militares angolanos na Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) em Moçambique, conhecida pela sigla SAMIM, criada para apoiar os esforços de restabelecimento da segurança na província de Cabo Delgado, afectada por ataques armados e instabilidade.
A SAMIM encerrou oficialmente em 2024, após a participação de forças de vários Estados-membros da SADC.
A experiência evidenciou a importância da coordenação entre países vizinhos, da preparação dos efectivos e da capacidade logística para o cumprimento de missões fora do território nacional.
A cooperação militar externa abrange ainda o intercâmbio de experiências, a formação de quadros e a realização de exercícios destinados a melhorar a interoperabilidade entre as forças armadas.
Modernização para responder aos desafios do futuro
A celebração dos 35 anos das FAA ocorre num contexto em que a modernização das capacidades militares constitui uma das prioridades do sector da Defesa Nacional.
O Executivo tem reafirmado atenção especial ao processo de reestruturação, redimensionamento, reequipamento e rejuvenescimento da instituição.
Este processo abrange a organização das unidades, a renovação dos meios, a formação dos efectivos e a adequação das capacidades militares às necessidades do país.
A modernização não depende apenas da aquisição de equipamentos, mas exige igualmente manutenção, logística eficiente, preparação técnica e disponibilidade de quadros especializados, factores essenciais para garantir a operacionalidade dos meios e a eficácia das missões.
As mudanças no ambiente internacional acrescentam novas exigências à defesa nacional, num contexto que requer maior eficácia no uso das tecnologias de comunicação, dos sistemas de vigilância e dos mecanismos de protecção das redes, a par da crescente utilização de meios digitais nas operações militares.
O Dia das FAA constitui, por isso, uma oportunidade para reconhecer o contributo dos efectivos no activo, dos antigos militares, dos veteranos e de todos quantos marcaram a história da instituição, incluindo aqueles que perderam a vida no cumprimento das suas missões.
Trinta e cinco anos após a sua criação, as Forças Armadas Angolanas continuam perante o desafio de transformar a experiência acumulada ao longo da sua história em capacidades que lhes permitam responder às exigências do futuro, em defesa da soberania nacional, da integridade territorial e da paz em Angola.ART




