O director do Instituto de Defesa Nacional (IDN), Hélder Cafala, defendeu, hoje, em Luanda, que "a diplomacia deve ser um instrumento de prevenção", enquanto a defesa deve assumir um papel de dissuasão e protecção.
O académico proferiu estas declarações na cerimónia de encerramento do 1.° Curso sobre o "Papel da Diplomacia de Defesa nos Estados", que decorreu no Quartel General do Exército, com duração de cinco dias.
Segundo Hélder Cafala, a segurança nacional deve ser encarada como uma responsabilidade integrada do Estado, sobretudo num contexto internacional marcado por conflitos cada vez mais complexos e multidimensionais.
Ao abordar o estudo dos conflitos no Médio Oriente, o responsável explicou que compreender aquela região não significa importar os seus conflitos, mas conhecer os mecanismos que estão na origem das crises, a sua internacionalização e a forma como interesses geopolíticos, económicos, energéticos e estratégicos se cruzam.
“O verdadeiro valor de um estudo estratégico não está apenas em compreender aquilo que aconteceu. Está em transformar aquilo que aconteceu em capacidade de antecipação”, afirmou Hélder Cafala.
Para o director do IDN, esta constitui a principal síntese estratégica da formação: conhecer os conflitos para antecipar riscos, antecipar riscos para prevenir crises e prevenir crises para proteger os interesses nacionais.
O responsável destacou ainda a participação da juventude na formação, realizada de 10 a 14 de Agosto, salientando que, pela primeira vez e de forma excepcional, o IDN acolheu, durante o período de férias escolares, adolescentes dos 15 aos 17 anos numa formação desta natureza.
Na ocasião, Hélder Cafala destacou, igualmente, a contribuição dos prelectores Tenente-General André Alberto António Kizua, Brigadeiro Daniel Raimundo Savihemba, Brigadeiro Francisco Ramos da Cruz, Osvaldo Isata, Embaixador Miguel César Domingos Bembe e Embaixador José Paulino Cunha da Silva, considerando que a conjugação de experiências militares, diplomáticas, jurídicas e estratégicas contribui para transformar o conhecimento individual em capacidade nacional.
A iniciativa coincidiu com a celebração do Dia Internacional da Juventude, assinalado a 12 de Agosto, facto considerado pelo director do IDN como simbólico, por colocar jovens numa sala onde se debateu o futuro da segurança do Estado.



