A criação de cadeias de valor alimentares e de uma agroindústria comum entre Angola e a Namíbia foi um dos temas centrais debatidos segunda-feira , em Luanda, por líderes dos sectores público e privado de ambos os países durante o Fórum Empresarial.
O consultor financeiro do Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (PDAC) João Sunda apontou os cereais, com especial realce para o milho, como os produtos agrícolas já identificados com maior potencial para alavancar parcerias de comércio e investimento bilateral.
De acordo com o especialista, Angola produziu cerca de 3,5 milhões de toneladas de milho na campanha agrícola 2024/2025, um volume expressivo, mas que ainda está aquém da elevada procura registada na região da SADC.
Diante deste cenário, Sunda destacou o leque de possibilidades para os investidores. “Vejo aqui oportunidades de investir na produção, mas sobretudo em áreas que ainda têm muito potencial acumulado, como a logística, o armazenamento e a pecuária”, frisou.
Outro desafio crucial apontado pelo consultor é a necessidade de acelerar a transformação local dos produtos agrícolas.
Apesar dos gargalos, o técnico do PDAC enalteceu as políticas macroeconómicas implementadas pelo Executivo angolano para desburocratizar o ambiente de negócios, destacando o impacto dos investimentos estruturantes em curso na província do Cunene.
“Estamos a criar áreas irrigadas de pasto com mais de 150 mil hectares de terras disponíveis para produção. Sabemos que a Namíbia enfrenta sérios desafios sazonais no que toca ao pasto, portanto, o nosso objectivo estratégico é produzir em solo angolano e exportar para o mercado namibiano”, concluiu João Sunda.




