Moçâmedes – O programa JOBE Angola já alcançou 77 mil beneficiários através de iniciativas de capacitação, inserção no mercado de trabalho e apoio ao empreendedorismo, informou, sexta-feira, no Namibe, o coordenador do projecto, Sebastião Luzembo.
Moçâmedes – O programa JOBE Angola já alcançou 77 mil beneficiários através de iniciativas de capacitação, inserção no mercado de trabalho e apoio ao empreendedorismo, informou, sexta-feira, no Namibe, o coordenador do projecto, Sebastião Luzembo.
O responsável prestou a informação durante a apresentação do painel sobre o impacto das políticas activas de emprego, no âmbito da 12.ª edição do Fórum dos Municípios e Cidades de Angola.
Sebastião Luzembo propôs uma mudança de paradigma nas políticas de emprego, com maior valorização do conceito amplo de trabalho, para além da procura de empregos formais com vínculo jurídico, e reforço da capacitação produtiva dos jovens.
Segundo o coordenador, a estratégia do JOBE Angola assenta em quatro pilares fundamentais, capacidade humana, qualificação profissional, capacidade produtiva e alinhamento com as necessidades reais das comunidades locais.
Para responder aos desafios do mercado de trabalho, o programa actua em duas frentes principais, nomeadamente qualificação e inserção profissional/empreendedorismo, através de iniciativas específicas.
Entre estas, citou o "Capacita", destinado à actualização contínua de trabalhadores de empresas, com vista à prevenção de despedimentos e promoção da mobilidade laboral.
Já o "Avanço" disponibiliza cursos de curta e média duração para a formalização técnica de ofícios informais, enquanto o Empoderamento Feminino concede bolsas em áreas técnicas e tecnológicas a jovens mulheres, com o objectivo de facilitar o acesso a sectores de maior remuneração.
Disse que o programa "Certificação de Competências" permite o reconhecimento oficial de conhecimentos e aptidões adquiridos ao longo da vida.
No domínio do empreendedorismo, o programa disponibiliza microcréditos, kits de trabalho do projecto Meu Ofício, Minha Vida, além de incentivos ao sector agrícola.
Emprego comunitário
No âmbito do desenvolvimento local e emprego comunitário, Sebastião Luzembo apontou os Contratos Locais de Emprego, resultado da cooperação entre os ministérios da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social e da Administração do Território com os governos provinciais.
As iniciativas organizam jovens em cooperativas para a prestação de serviços essenciais, como manutenção de vias, saneamento, jardinagem e apoio a serviços funerários.
Entre os exemplos de sucesso, mencionou o JOBE Tômbwa, desenvolvido no município do Tômbwa, província do Namibe, que responde às especificidades económicas locais através do apoio técnico e fornecimento de equipamentos para o processamento artesanal de pescado, além do incentivo ao turismo urbano e de deserto.
Apesar dos resultados alcançados, o coordenador apontou desafios para a sustentabilidade das cooperativas juvenis, com destaque para o acesso ao mercado local, desburocratização, desenvolvimento comportamental e diversificação das fontes de financiamento.
Neste domínio, apelou ao Executivo para reforçar a articulação com os órgãos locais, de modo a facilitar a contratação de cooperativas juvenis por pequenos estabelecimentos privados, sobretudo restaurantes das zonas costeiras, para serviços de saneamento.
Sebastião Luzembo considerou ainda necessário reduzir os custos de licenças para actividades como a recolha de resíduos, por constituírem uma barreira à criação e consolidação de novas cooperativas.
Defendeu, igualmente, maior atenção às competências sociais e comportamentais dos beneficiários, como disciplina, responsabilidade e conservação dos meios de trabalho, bem como a mobilização de novas fontes de financiamento para ampliar os projectos a outras regiões do país.LG/FA/ART




