O analista político Mabanza Cambaca questionou a posição assumida pelo presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, em relação à cerimónia de inauguração do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, considerando que a presença de representantes de diferentes forças políticas constitui um gesto de responsabilidade histórica e de compromisso com a reconciliação nacional.
Em declarações à imprensa esta terça-feira, 20, Mabanza Cambaca reagiu às afirmações de Adalberto Costa Júnior, que disse ter sido usado na cerimónia de inauguração do Memorial, realizada recentemente em Luanda, numa iniciativa presidida pelo Presidente da República, João Lourenço.
Segundo o analista, a posição do líder da UNITA demonstra uma leitura que, na sua perspectiva, desvaloriza a dimensão histórica e política do Memorial, destinado a homenagear as vítimas dos conflitos políticos ocorridos em Angola entre 1975 e 2002.
Mabanza Cambaca lembrou que a UNITA, enquanto uma das principais forças políticas envolvidas no conflito armado que marcou o país, tem um papel no processo de reconciliação nacional, defendendo que a participação do seu presidente na cerimónia deve ser entendida à luz da importância da preservação da memória colectiva.
O analista contestou igualmente a alegação de que Adalberto Costa Júnior teria sido instrumentalizado com a sua presença no acto, sustentando que a participação de líderes políticos numa iniciativa dessa natureza pode representar um compromisso com a paz e a reconciliação entre os angolanos.
O Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos foi inaugurado em Luanda pelo Presidente da República, João Lourenço, e tem como objectivo preservar a memória das pessoas afectadas pela violência política registada no país, incluindo os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 e outros episódios de violência ocorridos no período abrangido.
A reacção de Mabanza Cambaca surge num contexto de debate sobre o significado político e histórico da cerimónia, bem como sobre o papel das lideranças partidárias na construção de uma memória colectiva que contribua para a reconciliação nacional.




