O primeiro secretário provincial do MPLA na Lunda-Sul, Gildo Matias José, afirmou que a 13ª Conferência Provincial de Balanço e Renovação de Mandatos não pode ser vista como uma mera formalidade estatutária, nem resumir-se à apresentação de relatórios e números.
Ao discursar na abertura da conferência, o dirigente sublinhou que este é um momento de tomada de consciência política, de reflexão colectiva e de reafirmação dos compromissos assumidos perante os militantes, o partido e, sobretudo, perante o povo da Lunda-Sul.
Segundo Gildo Matias José, o quinquénio 2021-2026 foi marcado por desafios económicos e sociais, por exigências crescentes da população e pela necessidade permanente de fortalecer a capacidade de resposta das instituições e das estruturas do partido na província.
“Foi igualmente um período em que a Lunda-Sul assistiu e testemunhou importantes transformações nos mais variados domínios da nossa vida provincial. Nas infra-estruturas, na educação, na saúde, na habitação, na energia e águas, nas vias de comunicação, nos desportos, entre outros”, destacou.
O responsável defendeu que o balanço deve ser feito com responsabilidade, serenidade, elevação e maturidade política, com honestidade perante os militantes e a sociedade.
“Um balanço não deve apenas servir para falar daquilo que juntos fomos capazes de realizar. Deve ser sobretudo capaz de compreender o impacto da nossa acção, reconhecer o contributo de cada camarada e, sobretudo, identificar sem receios aquilo que ainda precisamos fazer e melhorar”, afirmou.
Gildo Matias José lembrou que a grandeza do MPLA não se mede apenas pelas realizações, mas pela capacidade de enfrentar desafios, aprender com a experiência e transformar as aspirações do povo em realizações concretas.
Ao caracterizar a província, referiu que a Lunda-Sul é um território de grande importância estratégica, com enorme potencial económico e riquezas naturais e culturais, mas cujo maior activo é o seu povo trabalhador, resiliente e acolhedor.
“É para estas pessoas que a política deve fazer sentido. É para elas que devem servir os nossos programas, as nossas decisões, as nossas realizações. É para essas pessoas que o MPLA existe, tal como nos legou o saudoso camarada Presidente António Agostinho Neto. O mais importante é resolver os problemas do povo”, frisou.
No capítulo da educação, apontou a expansão da rede escolar, a construção de mais salas de aula e a melhoria das condições de ensino como passos importantes para ampliar o acesso ao conhecimento e melhorar as perspectivas das novas gerações. Elogiou ainda o trabalho das Brigadas de Alfabetização Olinda Rodrigues, Hoji-Ya-Henda e 17 de Setembro.
“Por detrás de cada sala de aulas existe uma criança que pode sonhar com um futuro diferente. Por detrás de cada professor existe uma missão que ultrapassa o quadro e o giz”, disse.
Na saúde, destacou a expansão da rede sanitária, a construção e apetrechamento de infra-estruturas hospitalares e o reforço dos serviços de atendimento, que representam conquistas de elevado valor social. O político anunciou para o próximo ano a construção de novos hospitais municipais e de um novo hospital pediátrico, além da aposta na qualificação e especialização dos profissionais da saúde e da educação.
Nos sectores de energia, águas e saneamento básico, afirmou que cada melhoria contribui para um ambiente mais saudável e para a qualidade de vida das comunidades.
Quanto às vias de comunicação, referiu a reabilitação da Estrada Nacional 230 e os projectos de mobilidade e requalificação urbana nos municípios do Cacolo, Muconda e Dala, além da recente autorização para requalificação de 114 quilómetros de malha urbana.
“Uma estrada não é apenas uma faixa de circulação. Aproxima o produtor do mercado, facilita o acesso de uma criança à escola, permite que um doente chegue atempadamente a uma unidade sanitária e cria condições para que o comércio floresça”, sublinhou.
Na habitação, destacou a centralidade General de Chissengue como exemplo do esforço para garantir moradias condignas e um crescimento urbano com infra-estruturas e serviços essenciais.
No domínio económico, defendeu a valorização da agricultura, comércio, logística, turismo, empreendedorismo e exploração responsável dos recursos naturais, com foco na criação de emprego para os jovens. O dirigente reconheceu, contudo, que persistem desafios no acesso à água potável, energia eléctrica, vias de acesso, escolas, cobertura sanitária, habitação e emprego.
“Reconhecer esses desafios não diminui os nossos avanços. Muito pelo contrário, demonstra que o MPLA tem capacidade de compreender a realidade e a dimensão dos desafios que temos pela frente”, afirmou.
Sobre a renovação de mandatos, Gildo Matias José disse que não significa apagar a história ou desvalorizar o trabalho feito, mas preservar o que deu bons resultados, reforçar o partido com novas capacidades e responder às novas exigências políticas, económicas e sociais.
“Precisamos de um MPLA na Lunda-Sul em que a experiência e a renovação caminhem juntas. Em que a disciplina seja acompanhada pela responsabilidade e que a unidade se construa através do respeito, do diálogo e da defesa dos objectivos colectivos”, defendeu.
O político reiterou que os mandatos e os cargos são temporários, mas a responsabilidade para com o partido deve ser permanente, e que as funções devem ser encaradas como missões de serviço e não privilégios pessoais.
“O mais importante não é quem assume uma responsabilidade, mas a capacidade que cada um deve ter em transformar essa responsabilidade em trabalho, espírito de equipa e resultados colectivos que gerem confiança no nosso patrão, que é o nosso povo”, enfatizou.
O primeiro secretário apelou ainda a um diálogo franco, debate construtivo e aprofundamento da democracia interna, e à mobilização das estruturas e dos Comités de Acção do Partido.
A terminar, chamou a atenção para o processo de actualização do registo eleitoral oficioso, sob formato de prova de vida, que decorre em todo o país, considerando-o crítico para a ambição de vencer as eleições gerais de 2027. Revelou que na Lunda-Sul cerca de 90 mil cidadãos já realizaram a prova de vida e apelou aos militantes, amigos, simpatizantes e à sociedade civil a aderirem em massa aos postos de registo, os GUAPEs.
“Que possamos sair daqui hoje mais unidos, mais conscientes das nossas responsabilidades, mais fortes na nossa organização e mais determinados a servir o MPLA e o povo da Lunda-Sul”, concluiu, antes de declarar aberta a 13ª Conferência Ordinária Provincial de Balanço e Renovação de Mandatos.




