O novo Hospital dos Queimados, inaugurado sábado pelo Presidente da República, João Lourenço, na Centralidade do Kilamba, em Luanda, está dotado de tecnologia de última geração para o tratamento de casos complexos decirurgia reconstrutiva e reabilitação de feridas crónicas.
Baptizada com o nome do líder histórico e Presidente fundador da Tanzânia, Julius Nyerere, a unidade sanitária conta com 252 camas de internamento. Deste total, 66 camas são rigidamente destinadas aos cuidados intensivos (UCI) para adultos, crianças e neonatos. Entre as principais valências do hospital, destacam-se a unidade especializada para o tratamento de grandes queimaduras e feridas complexas, seis blocos operatórios de última geração, um centro de nefrologia com 85 postos de hemodiálise e três câmaras hiperbáricas para oxigenoterapia. A instituição conta, ainda, com um banco de urgência e um serviço de imagiologia avançado, equipado com Ressonância Magnética de 3 Tesla. Este sistema de imagiologia avançado utiliza um campo magnético de alta intensidade para duplicar a potência dos equipamentos convencionais de 1,5 Tesla. A tecnologia em causa permite captar imagens com elevada resolução, mapeiar pequenas lesões com precisão milimétrica e reduzir significativamente o tempo de permanência do paciente no exame. O portefólio de valências da unidade hospitalar integra, igualmente, serviços de tomografia computorizada de 128 cortes e de angiografia digital, complementados por tecnologias de última geração. O novo Hospital dos Queimados dispõe, também, de modernas áreas de fisioterapia e reabilitação, neonatologia, laboratório central, centro de dados (data center) e um auditório científico com capacidade para 256 lugares. A unidade sanitária, inédita no país, dispõe , igualmente, de quartos concebidos para grandes queimaduras, equipados com sistemas de controlo rigoroso de temperatura e humidade. Adicionalmente, conta com camas inteligentes nas unidades de cuidados intensivos, estruturadas para proporcionar condições clínicas ideais à plena recuperação dos doentes. Erguida numa área de implantação de cerca de 99 mil metros quadrados, a infra-estrutura representa uma resposta concreta do Executivo às necessidades crescentes no tratamento de grandes queimaduras, cirurgia reconstrutiva, medicina regenerativa, cuidados intensivos, nefrologia, diagnóstico avançado e reabilitação especializada. O novo complexo hospitalar assume como objectivo estratégico o reforço da capacidade do Sistema Nacional de Saúde, a redução drastica das evacuações sanitárias para o exterior e posicionar o país como uma referência regional na prestação de cuidados médicos especializados. Hospital vai funcionarcomo centro de formação A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, fez saber que o novo Hospital dos Queimados — estruturado para funcionar também como um centro de formação, investigação e inovação — está alinhado com os novos modelos de financiamento à saúde, os quais não dependem exclusivamente do Orçamento Geral do Estado (OGE). O objectivo, esclareceu a governante, é garantir a autossuficiência e a sustentabilidade a longo prazo da unidade sanitária. “Temos plena confiança na equipa de gestão e em todos os profissionais deste hospital. Estamos convictos de que saberão corresponder à elevada responsabilidade que hoje assumem, promovendo uma gestão rigorosa, transparente e eficiente, orientada para a excelência, a inovação e a humanização dos cuidados”, ressaltou a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, durante a sua intervenção na cerimónia de inauguração. A governante referiu que a unidade se distingue das demais existentes no país pela sua modernidade e modelo assistencial inovador. O complexo reúne, num único espaço, equipas multidisciplinares, tecnologia de ponta e soluções avançadas para o tratamento de grandes queimaduras e feridas complexas. A ministra sublinhou que a nova infra-estrutura hospitalar assume-se como a maior e mais moderna do país nesta especialidade, posicionando-se também como uma das referências mais avançadas da África Austral. Para assegurar o pleno funcionamento da nova unidade, a ministra da Saúde deu a conhecer que se levou a cabo, no âmbito do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde, uma acção de capacitação direccionada a centenas de profissionais, tanto no país como no exterior. Esta iniciativa, disse, permitiu doptar o hospital de equipas multidisciplinares altamente qualificadas para responder aos desafios complexos da medicina contemporânea. A unidade hospitalar será assegurada por um corpo clínico inicial de 1.012 profissionais — incluindo médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal administrativo —, cuja equipa será progressivamente alargada e liderada por jovens especialistas. A ministra da Saúde avançou que o processo de construção da infra-estrutura gerou cerca de 2.900 postos de trabalho. Deste total, prosseguiu, aproximadamente 80% foram ocupados por cidadãos nacionais, o que disse ter contribuído para o fomento do emprego, a transferência de conhecimento e o desenvolvimento socioeconómico local. Unidade hospitalar de nível terciário A directora-geral do novo Hospital dos Queimados, Yanessa Filipe, informou que a instituição hospitalar é de nível terciário, tendo esclarecido que, nessa condição, apenas receberá pacientes transferidos de outros hospitais. “Por ser um hospital terciário e de referência nacional, os cidadãos só deverão acorrer ao mesmo se forem referenciados por outra unidade hospitalar, com excepção óbvia de queimaduras graves que necessitem de assistência imediata”, precisou a médica. Yanessa Filipe disse que, antes da transferência do paciente para o Hospital Julius Nyerere, será efectuada uma comunicação prévia com a unidade de origem. Este contacto, esclareceu a médica, vai permitir fazer a triagem do paciente para um atendimento mais célere a chegada ao novo Hospital dos Queimados. Yanessa Filipe reforçou que a aposta contínua na capacitação académica e profissional será determinante para o funcionamento eficiente da unidade hospitalar e para o fortalecimento da capacidade assistencial do Sistema Nacional de Saúde. “O nosso objectivo estratégico é capacitar cada vez mais quadros nacionais para solucionar, com sucesso, todos os casos de alta complexidade que chegarem à instituição, sobretudo aqueles que exigem maior diferenciação técnica”, salientou. Mazarino Cunha e Pedro Ivo




