A construção de estradas em Angola deve ser acompanhada pelo desenvolvimento de uma indústria capaz de produzir e montar os veículos que vão utilizar essas infra-estruturas, defendeu o ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns.
“Estradas, por si só, não conduzem nada. Há algo que tem que transcorrer por cima delas, nomeadamente as viaturas”, disse o governante nesta quarta-feira, 19 de Agosto, durante o CaféCIPRA, dedicado ao tema “A construção de estradas como alavanca à produção nacional”.
Rui Miguêns considera uma “boa notícia” o facto de Angola contar já com pelo menos um operador dedicado à montagem de veículos automóveis no país e destacou ainda a existência de outros ligados à montagem de motociclos.
“A construção de estradas, a sua manutenção vai sempre requerer, de alguma forma, a participação dos nossos industriais”, afirmou Rui Miguêns.
Na perspectiva do governante, o desenvolvimento da produção e montagem de equipamentos e artefactos destinados às obras públicas é uma iniciativa que vai aumentar progressivamente a participação de empresas nacionais nas várias etapas associadas à construção e manutenção das infra-estruturas.
O ministro defendeu, igualmente, a necessidade de Angola evitar transformar-se num destino para veículos usados de baixa qualidade provenientes de outros mercados, argumentando que a entrada indiscriminada dessas sucatas pode comprometer o desenvolvimento da indústria automóvel nacional.
“Se nós trouxermos a sucata do resto do mundo para o nosso país, não teremos capacidade de circulação nas nossas vias, não teremos condição para desenvolver transportes colectivos, porque vamos estar inundados com pequena sucata que veio do resto do mundo”, referiu.
Segundo o titular do sector da Indústria e Comércio, a proliferação de veículos usados de baixa qualidade poderá também impedir o surgimento de uma oferta nacional de peças de reposição em quantidade e qualidade suficientes para garantir a segurança rodoviária.
“Se nós continuarmos a ter importação da sucata do resto do mundo, ninguém vai se interessar em vir montar fábricas, dar os tais empregos e criar cadeias de valor na produção da indústria automóvel que nós tanto reclamamos”, apontou.
O ministro quer que Angola evolua da simples montagem de viaturas para a produção progressiva de componentes, como baterias, pneus e estofos, para permitir a criação de empregos estáveis e cadeias de valor nacionais.
“A coerência das decisões do Governo tem a ver com garantia de que vamos criar emprego digno, emprego estável e também criar uma economia resiliente, uma economia que não viva do desperdício das outras economias”, salientou.
Rui Miguêns afirmou que Angola continua aberta ao investimento e pretende construir um mercado africano integrado, no espírito da cooperação continental.
“O nosso país é um país aberto, amigo do investimento. Portanto, nós não temos, a priori, nenhum preconceito contra qualquer investidor e muito menos contra aqueles que nós consideramos nossos irmãos africanos”, salientou.
Ao mesmo tempo, o ministro defendeu uma maior participação de empresários angolanos no comércio, na indústria e nos serviços, incluindo no negócio de peças automóveis, actualmente dominado por cidadãos de outros países africanos.
Uma das soluções passa, segundo o ministro, por reforçar o papel dos distribuidores de veículos licenciados, que deverão também assegurar a disponibilidade de peças de reposição para as marcas que representam. O objectivo é reduzir a circulação de componentes falsificados ou sem garantias adequadas.



