O secretário de Estado para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Ângelo Buta João, defendeu sexta-feira, em Luanda, a urgência de os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) optimizarem as suas capacidades de detecção, prevenção e resposta a crimes cibernéticos.
Ao intervir no encerramento do 7.° Exercício Cibernético dos Estados-membros da SADC Cyberdrill 2026, subordinado ao tema “Simulação Cibernética e Cooperação no Combate ao Cibercrime”, o governante
sublinhou que o fortalecimento da resiliência digital na região é um passo estratégico e indispensável para salvaguardar as infra-estruturas críticas e proteger a soberania dos Estados-membros diante das crescentes ameaças no ciberespaço.
Ressaltou que Angola definiu o desenvolvimento da cibersegurança como um dos objectivos primários no seu Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023-2027.
Ângelo Buta João destacou, igualmente, a necessidade de exercícios conjuntos para que os Estados-membros possam antecipar-se aos incidentes no ambiente digital.
O secretário de Estado reconheceu haver défice regional de “data-center” governamentais, tendo exortado, por isso, as Agências de Protecção de Dados da SADC a redobrarem os esforços para a implementação dos acordos-quadro que viabilizem a construção de infra-estruturas nacionais, que possam constituir-se em infra-estruturas regionais.
Mais do que desenhar estratégias governamentais para a formação de especialistas, sublinhou o governante, é fundamental que as instituições de ensino e os operadores de cibersegurança da SADC promovam iniciativas integradas. Essas acções devem focar no desenvolvimento técnico da juventude africana, na geração de novos empregos e, fundamentalmente, no fortalecimento da arquitectura de defesa digital de todo o bloco regional.
No plano interno, Ângelo Buta João revelou que Angola aprovou e colocou em vigor diplomas legais que instituem o Conselho Nacional de Cibersegurança e o Centro Nacional de Cibersegurança, bem como construiu infra-estruturas públicas digitais.
Além da aposta na formação de quadros, acrescentou o secretário de Estado, o país passou a estar dotado de mais activos de soberania digital, nomeadamente o Data-Center Governamental, a Cloud Governamental e a renovação do Disaster Recovery (Recuperação de Desastres) de Angola.
Quanto à cooperação internacional, afirmou que a realização da simulação cibernética e a Cyberdrill 2026 enquadram-se na harmonização de estratégias de alinhamento operacional e de troca de experiências.
“A cibersegurança não é apenas uma aposta nas ameaças do presente, mas sim uma das condições incontornáveis para a construção de um país mais desenvolvido”, sustentou.
Promovido pela AfricaCERT, em parceria com a SADC e o Governo de Angola, o evento reuniu renomados especialistas em cibersegurança e equipas de resposta a incidentes informáticos, além de decisores políticos e representantes de diversas entidades do sector técnico.
O encontro consolidou-se como uma plataforma estratégica para a partilha de conhecimentos e para o fortalecimento da cooperação regional face às ameaças digitais no continente.
Secretariado da SADC
Na ocasião, o representante do Secretariado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), George Ah-Thew, destacou que a realização do Cyber Drill fortalece a cooperação entre os Estados-membros no combate ao cibercrime, visando consolidar a preparação e as capacidades colectivas de resposta a incidentes.
O responsável sublinhou que este exercício prático é crucial para testar os mecanismos regionais de resiliência e garantir uma actuação conjunta, rápida e coordenada perante as ameaças digitais que afectam a região.
Os Estados-membros da SADC, acrescentou George Ah-Thew, expandiram significativamente o seu âmbito de capacitação em cibersegurança, integrando sectores estratégicos como os serviços postais, o sistema financeiro, as forças de aplicação da lei, as autoridades de aviação civil e o sector jurídico.
O responsável sublinhou que esta abordagem multissectorial foca na protecção de infra-estruturas críticas e na inclusão activa da juventude, consolidando uma frente comum e resiliente contra as ameaças digitais na região.
A sessão de encerramento reservou, para o momento culminante dos trabalhos, a cerimónia de premiação dos grandes vencedores do AfricaCERT Youth Cybersecurity Hackathon 2026.
A competição de programação e resolução de problemas tecnológicos foi realizada de forma paralela às actividades do AfricaCERT e SADC Cyber Drill 2026, reunindo no Hotel de Convenções de Talatona (HCTA), em Luanda, brilhantes estudantes vindos de diferentes Estados-membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.
Esta maratona tecnológica serviu como uma vitrina de talento e inovação, onde os jovens participantes enfrentaram desafios práticos de alta complexidade em segurança digital, simulando cenários reais de ameaças e respostas a incidentes informáticos.
Arcênia Vemba




