O ministro das Relações Exteriores, Téte António, participou, hoje, na Mesa Redonda Ministerial Especial da Edição Inaugural do "Alamein Africa Forum", realizada na cidade de El-Alamein, no Egipto.
Ao intervir no evento, o chefe da diplomacia angolana sublinhou que as causas profundas da maioria dos conflitos no continente africano radicam em determinantes económicas, justificando a urgência de colocar o comércio e o investimento no topo da agenda diplomática africana, informa uma nota enviada ao JA Online.
Téte António explicou que a posição angolana tem com base, oito aspectos críticos para o desenvolvimento continental, nomeadamente, a educação, as infra-estruturas, a transformação local de recursos naturais, o reforço do diálogo intra-africano, a consolidação do mercado comum, a preservação da paz, o combate à praga das dívidas e a edificação de soluções resilientes contra a degradação ambiental e grandes epidemias.
No domínio social, reiterou a necessidade de formar a juventude africana que representa a maioria dos 1,6 mil milhões de habitantes do continente, através de políticas educativas harmoniosas e complementares.
Defendeu a necessidade de capacitar o capital humano face aos impactos da inteligência artificial, por formas a reter o talento local, desincentivar o êxodo e explorar cabalmente o dividendo demográfico.
Em termos de infra-estruturas e conectividade, o governante relembrou que a República de Angola acolheu, em Outubro do ano passado, a 3.ª Cimeira sobre o Financiamento de Infra-estruturas em África.
Instou os parceiros e governos a avaliarem com rigor o nível de efectivação dos compromissos assumidos, monitorando e corrigindo eventuais imperfeições para acelerar o fluxo comercial intra-africano.
Relativamente aos recursos naturais e minerais críticos, o ministro exortou a que a sua transformação industrial ocorra integralmente no solo africano.
Esta estratégia, segundo o diplomata, serve para gerar empregos internos e conferir mais-valias competitivas no mercado global, neutralizando as disputas geo-económicas externas que frequentemente funcionam como catalisadores de conflitos locais.
Ao abordar a arquitectura de segurança e a aspiração pelo calar das armas, o governante reiterou o papel activo do Presidente João Lourenço, como Campeão para a Paz e Reconciliação em África, destacando a recente realização, em Agosto último, da 21.ª Cimeira Extraordinária da UA em Luanda.
Aproveitou a ocasião para convidar os presentes a participar na 4.ª Edição da Bienal de Luanda para a Cultura de Paz, agendada para os dias 22 e 23 do corrente mês.
Numa forte alusão à estabilidade financeira, Téte António citou a intervenção do Presidente da República de Angola na Assembleia Geral das Nações Unidas, reforçando o apelo à reforma imediata da arquitectura financeira internacional.
Destacou que os países africanos gastam verbas exorbitantes com o serviço da dívida em detrimento de investimentos essenciais na saúde, educação e infra-estruturas estruturantes.
Esta prestigiada Mesa Redonda Ministerial Especial primou por uma elevada densidade política e reuniu um painel de excelência, com intervenções do ministro dos Negócios Estrangeiros, Emigração e Expatriados do Egipto, Badr Abdelatty, ministro do Investimento e Comércio Externo do Egipto, Mohamed Farid Saleh, directora Executiva da AUDA-NEPAD), Nardos Bekele-Thomas, ministro dos Negócios Estrangeiros do Burundi e Presidente em exercício do Conselho Executivo da União Africana, Édouard Bizimana, e do ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros da Guiné Equatorial, Simeón Oyono Esono Angüe.
O debate contou, ainda, com o contributo do ministro dos Negócios Estrangeiros da Tanzânia, Mahmoud Thabit Kombo, ministra dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Bianca Odumegwu-Ojukwu, Conselheiro Sénior do Presidente dos EUA, Sua Excelência, Massad Boulos, Secretário-Geral da ZCLCA), Wamkele Mene, e do Presidente do BADEA, Abdullah Almusaibeeh.
No final da sua intervenção, Téte António partilhou a experiência bem-sucedida de Angola na mitigação dos impactos climáticos no sul do país, através do Canal do Cafu e das Barragens do Ndue e do Calucuve.
Este remate final corporizou na perfeição os objectivos estruturais do "Alamein Africa Forum”, de servir como uma plataforma institucional permanente e bienal para converter as prioridades políticas da União Africana em projectos bancáveis concretos, desenvolvendo cadeias de valor transfronteiriças, atraindo capitais privados e forjando parcerias duradouras que guiem o continente rumo à soberania económica e industrial.
O encontro teve como tema central “O Comércio e a Cooperação Económica no Centro da Diplomacia Pan-Africana”.




