Vandalismo custa milhões ao Estado

Resumo: Proposta de lei pretende punir e prevenir vandalismo que causa perdas anuais de cerca de 178 mil milhões de kwanzas, afetando energia, água e transportes. Medidas visam proteger infra‑estruturas críticas e responsabilizar autores e redes.
Pontos-chave
O Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil revelou que o Estado perde anualmente cerca de 178 mil milhões de kwanzas, um valor que equivale a aproximadamente 194,1 milhões de dólares, devido a atos de vandalismo que atingem setores fundamentais como energia, abastecimento de água e transporte público, colocando em risco a prestação de serviços essenciais e a segurança da população em muitas regiões do país.
A proposta de Lei Contra a Vandalização de Bens Públicos apresentada na Assembleia Nacional introduz tipificações claras: contempla crimes de destruição total, subtração de bens públicos e danos parciais que comprometem funcionamento de serviços. O objetivo declarado é criar um quadro jurídico penal eficaz que permita prevenção, investigação e punição, sem prejuízo dos princípios constitucionais do Estado de direito e de proporcionalidade das sanções.
Entre as inovações, o diploma amplia a responsabilização para além do autor material, alcançando redes e intermediários envolvidos em esquemas de promoção, receptação e exportação ilegal de bens públicos. A proposta também prevê proteção reforçada das infra‑estruturas críticas — incluindo energia, água, saneamento, transportes e comunicações — por serem vitais ao funcionamento do Estado e à qualidade de vida dos cidadãos, exigindo estratégias integradas de prevenção.
Os defensores da iniciativa argumentam que medidas legislativas e punitivas são necessárias para reduzir prejuízos recorrentes que afetam orçamentos públicos e serviços. Críticos e parte da oposição questionaram pontos do diploma e pediram salvaguardas para garantir que sanções sejam graduadas e proporcionais, protegendo direitos fundamentais e evitando criminalização excessiva de comunidades vulneráveis que já enfrentam fragilidades sociais e económicas.
O diploma foi aprovado na generalidade com votos favoráveis do MPLA, PRS, FNLA e PHA, enquanto a UNITA registou abstenções, e segue agora para discussão na especialidade. As próximas etapas legislativas devem definir penalizações graduadas, medidas de reparação e mecanismos de cooperação entre autoridades locais, operadoras de serviços e comunidades para reforçar vigilância, manutenção e educação cívica contra o vandalismo.


