PAICV confirma vitória e mudança em Cabo Verde

Resumo: O PAICV venceu as eleições legislativas em Cabo Verde com cerca de 46,6% dos votos, conduzindo à mudança de governo e à demissão da liderança do MpD. Resultado marca retorno do PAICV ao poder e aponta desafios imediatos para formação de governo.
Pontos-chave
As eleições legislativas de 17 de maio de 2026 resultaram na vitória do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), que obteve cerca de 46,6% dos votos, segundo apuração provisória. A votação foi marcada por uma abstenção recorde de 53,4%, e os resultados finais só foram esclarecidos com a contagem dos votos na diáspora, sobretudo nas Américas, onde se decidiram mandatos fundamentais.
Em termos de mandatos, o PAICV elegeu 37 deputados enquanto o Movimento para a Democracia (MpD) ficou com 33 e a UCID com 2, numa composição que devolve ao PAICV a responsabilidade de formar governo. Francisco Carvalho, líder do PAICV, anunciou que será o próximo primeiro‑ministro e prometeu implementar um “novo Cabo Verde”, com foco em políticas sociais e reestruturação administrativa para cumprir promessas de campanha.
O líder do MpD, Ulisses Correia e Silva, assumiu a responsabilidade pela derrota e apresentou a sua demissão da presidência do partido para abrir espaço a nova liderança. Apesar do anúncio de transição pacífica, o cenário político exigirá negociações rápidas para garantir estabilidade institucional e que a transição governamental ocorra de forma ordenada, garantindo continuidade dos serviços públicos e respeito às normas democráticas.
Observadores e missões internacionais acompanharam o processo eleitoral; entre eles, uma delegação angolana integrada na Missão de Observação Eleitoral da CPLP que monitorou diferentes círculos eleitorais, incluindo Praia e municípios de Santiago. A presença de observadores reforçou a transparência do pleito e produziu relatos sobre o ambiente de votação, organização das mesas, participação dos eleitores e eventuais melhorias necessárias em logística eleitoral.
As prioridades imediatas apontadas pelo PAICV incluem medidas sociais anunciadas durante a campanha, como acesso à educação e saúde pública, redução de custos de transporte inter-ilhas e reformas administrativas para otimizar o governo. Analistas avisam que o novo executivo enfrentará desafios fiscais e a necessidade de diálogo com a oposição e parceiros regionais para implementar medidas sem comprometer a estabilidade económica e social do arquipélago.


