Sonangol admite perdas bilionárias

Resumo: Relatórios da Sonangol revelam provável não recuperação de empréstimos a privados, somando cerca de 390 mil milhões de kwanzas. Impacto preocupa contas da petrolífera e analistas.
Pontos-chave
O mais recente relatório da Sonangol confirma que existem empréstimos concedidos a grupos privados cuja recuperação é considerada improvável, num total próximo de 390 mil milhões de kwanzas, segundo dados internos e auditoria. A petrolífera provisionou esses valores, reconhecendo um risco sério para o seu balanço e apontando para fragilidades na gestão de financiamentos públicos a privados.
Os grupos referidos incluem a Force Petroleum Angola e a Genius, ligados a figuras empresariais e militares, e os empréstimos foram concedidos no âmbito da Lei do Fomento Empresarial; essa política pública visava estimular investimento privado, mas os resultados financeiros demonstram fragilidades e perdas prováveis. Analistas questionam transparência e critérios de concessão desses financiamentos pelo Estado.
A auditoria da EY e comentários no relatório indicam sinais de imparidade em activos financeiros da Sonangol, afectando subsidiárias e investimentos sem garantias claras de recuperabilidade futura; a situação é agravada pela existência de dívidas do Estado à Sonangol e por antecedentes de empréstimos públicos não devolvidos, o que coloca em risco a saúde financeira da petrolífera a médio prazo.
Também é referido que o relatório não menciona um novo investimento na Amufert, projecto agroindustrial no Soyo em parceria com o Grupo OPAIA, levantando dúvidas sobre integralidade e transparência da informação apresentada aos accionistas e ao público; essa ausência alimenta críticas sobre a gestão comunicacional e o reporte de compromissos financeiros relevantes.
O reconhecimento formal do risco de perda desses montantes activa debate sobre responsabilidade, fiscalização e necessidade de reformas nos mecanismos de fomento empresarial; operadores económicos e instituições públicas poderão exigir maior clareza, auditorias independentes e medidas para proteger activos estratégicos e assegurar que futuros financiamentos sigam critérios mais rigorosos.


