A Federação dos Jornalistas Africanos (FAJ) aprovou um plano de acção continental para promover o uso responsável da inteligência artificial no jornalismo, combater a desinformação e defender melhores condições de trabalho nas redacções africanas.
A estratégia foi definida durante um encontro de dois dias, realizado em Adis Abeba, Etiópia, nos dias 24 e 25 de Outubro, sob o lema «Promover a inteligência artificial responsável e o trabalho digno para um jornalismo de qualidade em África».
Durante os debates, os participantes reconheceram que a inteligência artificial oferece novas ferramentas para apoiar a investigação jornalística, facilitar traduções e melhorar a verificação de informações. No entanto, alertaram para os riscos da sua utilização indevida, sobretudo na criação de conteúdos falsos, usurpação de identidade e disseminação rápida de desinformação.
O encontro reuniu dirigentes de organizações de jornalistas e representantes da Comissão da União Africana, da UNESCO, da Organização Internacional do Trabalho e da União Europeia. Além dos desafios tecnológicos, foram analisadas questões relacionadas com a liberdade de imprensa, a independência editorial e a segurança dos profissionais da comunicação social.
A precariedade laboral nas redacções também mereceu atenção, com os participantes a apontarem os baixos salários, os atrasos nos pagamentos e a falta de contratos como alguns dos problemas que afectam o exercício da profissão em África.
A Federação manifestou ainda preocupação com o aumento da violência contra jornalistas e do assédio digital, particularmente contra mulheres que exercem a actividade jornalística.
O plano de acção teve como base uma sondagem continental que ouviu 1.586 jornalistas de 45 países africanos, considerada pela FAJ a primeira iniciativa do género no continente.
Na ocasião, o presidente da organização, Omar Faruk Osman, defendeu que a inteligência artificial não deve agravar a precariedade nas redacções, advertindo que a falta de trabalho digno compromete a qualidade do jornalismo e abre espaço à desinformação.
A estratégia agora aprovada deverá orientar a actuação das organizações filiadas na FAJ e reforçar o diálogo com instituições africanas e internacionais, tendo em vista a defesa dos direitos dos jornalistas e a promoção de práticas responsáveis na utilização das novas tecnologias.
Angola está representada na estrutura da Federação dos Jornalistas Africanos através da jornalista Luísa Maria Rogério, que ocupa um cargo de relevo naquela organização continental.




