Lubango - A presidente da associação Olukongolo, Telma Gomes, alertou, esta quarta-feira, para o silêncio das famílias em caso de violência sexual, sobretudo, quando protagonizado pelo provedor do lar.
Lubango - A presidente da associação Olukongolo, Telma Gomes, alertou, esta quarta-feira, para o silêncio das famílias em caso de violência sexual, sobretudo, quando protagonizado pelo provedor do lar.
Em declarações à ANGOP, manifestou-se preocupada com o facto de algumas famílias optarem por não denunciar os casos, por razões económicas, sociais ou familiares, o que deixa muitas das vítimas expostas a situações prolongadas de violência.
Disse que a associação registou duas mil 800 denúncias de violência sexual contra menores, nos últimos três anos de existência da organização em diversos pontos do País.
Referiu que no primeiro trimestre deste ano, a organização recebeu 100 denúncias, das quais mais de 60 por cento ocorreram em Luanda e os outros 40 por cento nas demais províncias.
Frisou que a intervenção directa da associação abrange as províncias de Luanda, Bengo, Cuanza-Sul, Benguela e Huíla, enquanto noutras regiões, o acompanhamento tem sido feito de forma indirecta, em articulação com os órgãos da administração local do Estado.
Segundo Telma Gomes, mais de 80 por cento dos casos acompanhados envolvem pessoas próximas das vítimas, sobretudo, familiares directos, um facto que exige uma maior vigilância dentro das próprias residências.
Apontou a existência de localidades onde as adolescentes são submetidas a práticas forçadas associadas a tradições, um dos desafios que requer maior atenção das autoridades e das organizações de defesa dos direitos da criança.
Explicou que a organização tem reforçado o trabalho de sensibilização junto das comunidades para incentivar a denúncia dos crimes, bem como o recurso ao “SOS Criança” do Instituto Nacional da Criança (INAC), através do número 15015.
Realçou a necessidade de fazer crescer a consciência nas comunidades sobre a necessidade de proteger crianças e adolescentes contra a violência sexual, bem como o reforço das molduras penais aplicáveis aos crimes do género, como forma de aumentar o efeito dissuasor da legislação e responsabilizar os infractores.
Defendeu ao reforço da cooperação entre as famílias, comunidades, Polícia Nacional e órgãos judiciais para garantir a denúncia, investigação e responsabilização dos autores dos crimes.
Fez saber que a associação trabalha com 10 membros efectivos e conta com voluntários, que são mobilizados em maior número para actividades que exigem maior capacidade de intervenção.
Para ampliar a sua acção no país, ressaltou que a organização necessita de mais recursos humanos, financeiros e infra-estruturais, considerados essenciais para aumentar a capacidade de prevenção, acompanhamento das vítimas e sensibilização das comunidades.
Com três anos de existência, a Olukongolo (AOLUK) é uma associação juvenil angolana sem fins lucrativos, de cariz social focada na protecção da criança e da juventude, com especial atenção à prevenção e combate de abusos sexuais de menores, bem como ao apoio às famílias em situação de vulnerabilidade.
Actua de forma estruturada, preventiva e sustentável, com a promoção de acções de sensibilização, educação comunitária, com incentivo à participação activa da sociedade civil na, prevenção, identificação e denúncia de situações de risco, para uma sociedade mais segura dos abusos sexuais infanto-juvenis. EM/ALH




