Dificuldades financeiras, questões passionais e disputas de herança são apontadas como as principais causas que estão na origem do aumento de casos de suicídio em Menongue, província do Cubango, disse, ontem, o porta-voz do Comando Provincial do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB).
Em declarações ao Jornal de Angola, o 3.º subchefe Albano Cutarica explicou que, só na última semana de Setembro, foram registados três casos de suicídio por enforcamento em Menongue, envolvendo jovens, supostamente por motivações de ordem financeira.
Albano Cutarica referiu que, apesar de a instituição ter apenas o registo de 11 casos de suicídio de Janeiro a Setembro deste ano, dos quais seis consumados e cinco impedidos, os números podem estar muito acima destes.
Para o real dado estatístico, a equipa de reportagem do Jornal de Angola tentou contactar o Serviço de Investigação Criminal (SIC), que é a principal instituição responsável pela remoção de cadáveres em casos de suicídio, mas não teve êxito devido a questões burocráticas.
O porta-voz do SPCB na província disse que as ocorrências envolveram, maioritariamente, pessoas do sexo masculino, com idades compreendidas entre 15 e 63 anos, tendo sido registadas nos municípios de Menongue e Cuchi.
Incidência
No município de Menongue, explicou, os casos de suicídio ocorrem com maior incidência nos bairros Popular, Castilhos e Futungo.
Albano Cutarica recordou que no ano passado, o SPCB no Cubango registou 17 casos de suicídio, dos quais 12 foram consumados e cinco pessoas foram salvas.
Quanto às formas utilizadas para o suicídio, constam enforcamentos, afogamentos em cacimbas, ingestão de substâncias químicas e tóxicas (lixívia, rátex, pó de pilhas e ingestão de medicamentos), assim como lesões com cortes e tentativas de precipitação em locais elevados, afirmou.
Saúde mental
O supervisor provincial do Programa de Saúde Mental, Faustudo Augusto, afirmou que os principais factores que podem estar na base de casos de suicídio são os transtornos mentais, como a depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e ansiedade.
Por causa desses transtornos, as pessoas enveredam muitas vezes pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas ou outras drogas, perdem a esperança, desenvolvem sentimentos de inutilidade e sentem-se pressionadas a tirar a própria vida.
Faustudo Augusto acrescentou, ainda, que olhando para os vários episódios de suicídio na província, tudo aponta que as famílias carecem de uma maior atenção de saúde mental, no sentido de se inverter o actual quadro preocupante.
Luanda
A Rede Provincial de Saúde Mental de Luanda atendeu 21.814 cidadãos com perturbações mentais durante o primeiro semestre deste ano. A informação foi avançada pelo coordenador provincial do Programa de Saúde Mental e Abuso de Substâncias Psicotrópicas, Sebastião André.
O responsável detalhou que, do universo de pacientes assistidos, 6.691 têm entre 15 e 24 anos e 9.948 situam-se na faixa dos 25 aos 49 anos, somando 76,3 por cento dos atendimentos do período.
No topo dos diagnósticos mais comuns estão os transtornos neuróticos secundários ao estresse e somatoformes, com 8.837 casos. Seguem-se os transtornos do humor, com 4.746, e os distúrbios de comportamento e emocional com início na infância e adolescência, totalizando 3.929 ocorrências.
No mesmo período, salientou, a Rede Provincial registou, também, 66 casos de lesões auto-infligidas intencionais, com maior incidência sobre pessoas dos 15 aos 49 anos, situação que, segundo o coordenador, constitui um sinal de alerta para o reforço da identificação precoce do sofrimento psicológico e do encaminhamento para assistência especializada.




