Divergência de currículos nas universidades angolanas preocupa académicos e estudantes

A falta de uniformização dos currículos entre as instituições de ensino superior em Angola continua a ser apontada como um dos principais desafios do sistema educativo nacional, numa altura em que académicos e estudantes alertam para o impacto das disparidades curriculares na qualidade da formação e na preparação para o mercado de trabalho.
De acordo com o professor universitário Adérito Kizunda, as diferenças existentes entre os programas curriculares das universidades dificultam a comparabilidade dos diplomas e comprometem a consolidação de um sistema de ensino superior mais homogéneo e alinhado às necessidades do país.
O académico sublinha que, apesar do crescimento do número de instituições universitárias em Angola, persistem fragilidades estruturais relacionadas com a organização curricular, a qualidade da formação e o investimento insuficiente na capacitação contínua dos docentes.
Segundo Adérito Kizunda, estas limitações reduzem a capacidade das universidades responderem de forma eficaz às exigências actuais do desenvolvimento económico e social.
Entre os estudantes universitários ouvidos em Luanda, as preocupações centram-se sobretudo na distância entre os conteúdos leccionados nas salas de aula e a realidade do mercado de trabalho.
Os estudantes apontam limitações ao nível da componente prática, insuficiência de estágios académicos e dificuldades de adaptação às exigências profissionais após a conclusão da formação.
A situação volta a colocar em debate a necessidade de reformas no ensino superior angolano, com especialistas a defenderem maior harmonização curricular, reforço da formação pedagógica dos docentes e uma articulação mais efectiva entre universidades e sectores empregadores.
Para analistas do sector, o desafio passa por garantir que o crescimento do ensino superior no país seja acompanhado por melhorias efectivas na qualidade da formação e na preparação dos jovens para o mercado laboral.
Por: Sávia Maria


