Natural de Luanda, Gouvânia Rossana Miguel Goulão iniciou estudos no Centro Infantil Kiesse. Frequentou a primeira e a segunda classe no Colégio Nossa Senhora da Luz e, posteriormente, mudou-se para Portugal, onde estudou da terceira à quinta classe.
De regresso a Angola, passou pelo Colégio Vereda das Flores, onde fez a sexta classe e pelo Colégio Nossa Senhora da Anunciação, no Zango, onde frequentou a sétima classe.
Concluiu o ensino médio no Colégio Pitabel, no Parque das Acácias, na área de Ciências Físicas e Biológicas.
Ainda no ensino médio, em Luanda, o professor Osvaldo, da cadeira de Geometria Descritiva, percebeu que havia na estudante Gouvânia mais do que boas notas, daí a ter incentivado a procurar novas oportunidades tal como já apelava com frequência aos demais colegas.
Gouvânia recorda, particularmente, uma das mensagens que recebeu do docente, que dizia:” pelas suas notas e pelo seu desempenho, poderia candidatar-se a uma bolsa de estudos e teria boas possibilidades de ser bem-sucedida”.
O conselho foi acatado. Apenas com 15 anos de idade, a ideia de estudar no exterior começou a ganhar forma e candidata-se então a uma bolsa a partir do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE) para frequentar o curso de Medicina numa das universidades no exterior, tendo a Sérvia um dos primeiros países a responder a propósito.
Ideia encontra eco em casa
A ideia encontrou eco no seio familiar, porquanto sua mãe também falava frequentemente sobre a possibilidade da filha dar continuidade aos estudos no exterior e, aos poucos, aquilo que, inicialmente, parecia apenas uma possibilidade começou a transformar-se num projecto de vida.
Aliás, os pais são licenciados em Medicina e a profissão esteve sempre desde cedo presente no seu quotidiano, daí a opção da escolha ter encontrado fácil acolhimento no ambiente familiar.
Foi nessa fase que começou a olhar para além das fronteiras de Angola.
Uma nova língua, um novo clima, uma nova vida
Aos 23 anos, a jovem angolana Gouvânia Rossana Miguel Goulão, quase a terminar o curso de Medicina na Sérvia, prepara-se para regressar a Angola, onde pretende juntar-se aos esforços do Governo na manutenção do bem-estar dos cidadãos e dar o seu contributo na melhoria dos cuidados primários de saúde.
Apesar de construir uma vida académica e pessoal na Sérvia, Gouvânia não perdeu de vista Angola. Acompanha a realidade do país através dos meios de Comunicação Social angolanos e mantém uma preocupação particular com o Sistema de Saúde.
Para ela, a melhoria dos cuidados primários deve estar entre as prioridades nacionais, com a criação de mais postos e centros médicos mais bem equipados, manutenção de profissionais melhor preparados, actualizados e capazes de responder às necessidades da população.
A chegada à Sérvia, no entanto, trouxe desafios que nenhum boletim de notas poderia preparar, com realce ao frio, à língua e à gastronomia.
Vinda de Luanda, Gouvânia estava habituada a um clima completamente diferente. O frio de Luanda de 20 graus nada se compara ao frio de 10 graus que encontrou na Sérvia, recorda entre o humor e a memória de uma das primeiras dificuldades de adaptação.
Por sua vez, o sérvio era completamente diferente do português a que estava habituada. O tempo de preparação também foi curto: teve aproximadamente dois meses e meio para aprender a língua antes de enfrentar o novo ambiente académico, mas havia ainda a gastronomia, que confessa ter sido muito difícil adaptar-se.
Hoje, anos depois da chegada, a gastronomia angolana continua entre as coisas de que mais sente falta.
Centro de Articulação com a Diáspora (CAD)




