Ondjiva – A governadora provincial do Cunene, Gerdina Didalelwa, destacou as melhorias no abastecimento de água às populações locais, fruto da execução de projectos estruturantes de combate à seca em curso na região mais a sul de Angola.
Ondjiva – A governadora provincial do Cunene, Gerdina Didalelwa, destacou as melhorias no abastecimento de água às populações locais, fruto da execução de projectos estruturantes de combate à seca em curso na região mais a sul de Angola.
Em entrevista à Televisão Pública de Angola (TPA), terça-feira última, assinalou o canal do Cafu, em funcionamento desde 2022, e as barragens do Ndúe e Calucuve, a serem inauguradas esta semana, como fundamentais para assegurar o fornecimento do líquido precioso às populações no meio rural.
Recordou que a província do Cunene é considerada histórica e sacrificada pelas alterações climáticas, que ao longo dos anos registou problemas de seca e inundações, que causaram a morte de um elevado número de gado, considerado o principal activo económico das famílias.
“Estamos a vivenciar momentos diferentes com os novos projectos construídos, como o canal do Cafu que já beneficia a população e o gado, Ndúe e Calucuve que aguardam pela inauguração, assim como do Hita Hita e outros projectos em curso na região”, realçou.
A nível dos centros urbanos, disse que Ondjiva, Xangongo, sede de Namacunde, Santa Clara, entre outras localidades, estão a ser abastecidas de forma domiciliar, através de uma conduta proveniente do rio Cunene.
Em termos de electricidade, informou que a província conta com uma central térmica, com capacidade para produzir 50 megawatt, que abastece a cidade de Ondjiva, Namacunde e Santa Clara.
Gerdina Didalelwa apontou ainda a existência da central fotovoltaica de Xangongo, na sede do município de Ombadja, enquanto as restantes 11 circunscrições dependem de grupos geradores.
Agricultura e pecuária
Segundo a governadora, a entrada em funcionamento das barragens vai elevar a agricultura de subsistência para a empresarial, de modo a alavancar a produtividade para o consumo e exportação.
Avançou que, actualmente, o Cunene conta com 82 fazendas agro-pecuárias em funcionamento e um elevado número de criadores de gado tradicionais e famílias camponesas.
Sublinhou o desempenho do grupo empresarial Jardim da Yoba, que está a produzir trigo em grande escala e milho no Cunene.
Gerdina Didalelwa lembrou que, anteriormente, a maior parte da população praticava a agricultura de subsistência, que era prejudicada pelas secas sucessivas, mas com a disponibilidade de água vai-se relançar a agricultura de irrigação.
“Depois da inauguração das barragens do Ndúe e Calucuve vamos trabalhar com o empresariado nacional, para a prática da agricultura irrigada e reverter o anterior quadro da produção por sequeiro (dependência de chuva), assim como cultivar o feno para alimentar os animais”, avançou.
Acrescentou que, neste momento, o gado do Cunene alimenta-se apenas do pasto natural, mas a ideia, dentro de dois anos, é elevar a produção de feno, para que em época de escassez de chuva evite-se a mortalidade elevada de animais e salvar o principal activo das famílias”.
Fez saber que, apesar da estimativa de mais de 750 mil cabeças de gado existente, os dados estão acima dos oficiais, sublinhando que, devido à questão cultural, os criadores “não passam informação exacta”.
“O Cunene é a província com maior número de efectivo no país, superando a Huíla e o Namibe, com uma estimativa de mais de um milhão de cabeças de bovino, na sua maioria em posse de criadores tradicionais”, sublinhou.
Educação e Saúde
Um dos principais desafios do Cunene é o sector da educação, onde 45,3% da população “não é escolarizada”.
Segundo a governadora, o sector da educação é preocupante, sublinhando que actualmente são contabilizadas apenas 347 escolas do ensino geral e mais de 40 mil crianças fora do sistema de ensino, por falta de vagas.
Disse que a insuficiência de salas de aulas e de professores para atender a demanda estudantil poderá elevar de 45,3% para mais de 50%.
Ao contrário da educação, reconheceu que o sistema de saúde é que teve maior evolução, com um universo de 162 unidades sanitárias, sendo um hospital de nível terciário (General Simione Mucune), um hospital provincial, Missão Católica do Chiulo, seis municipais, 44 centros de saúde e 109 postos de saúde.
A governante ressaltou a entrada em funcionamento do Hospital Geral do Cunene “General Simione Mucune” de nível terciário, inaugurado em 2024, que dispõe de múltiplas valências, atendimento de diferentes especialidades e cirurgias de alta complexidade.
Malha rodoviária
De acordo com a governadora provincial, no Cunene, uma das áreas mais críticas, a par da educação, é a malha rodoviária da província, que conta apenas com uma via da rede nacional asfaltada deixada pelo colono português.
Trata-se apenas da Estrada Nacional (EN) 105, que parte da Huíla (Lubango) até Cunene (Santa Clara), numa extensão de cerca de 428 quilómetros.
Segundo Gerdina Didalelwa, a existência desse único troço nacional asfaltado é justificada pelo facto do Cunene ser uma das últimas províncias a ser ocupada pelos portugueses, em 1917.
A província dispõe, igualmente, da EN 120 que liga Ondjiva aos municípios da Mupa, Cuvelai até à província da Huíla, em fase de reabilitação, e outra Anhanga-Caiundo (Cubango), que aguarda pelo início das obras de reparação.
Além da falta de mais troços interprovinciais asfaltados, a governadora disse que o Cunene também enfrenta o desafio das vias intermunicipais, dominadas maior parte por de estradas de terraplenagem, como é o caso do troço Ondjiva/Anhanga.
Com um universo de um milhão 806 mil e 417 habitantes, a divisão político-administrativa da província do Cunene compreende 273 aldeias, 10 comunas e 14 municípios. FI/PEM/LHE/QCB




