Jornalistas convocados a travar violência infantil

A comunicação social foi chamada, ontem, pela secretária de Estado para a Acção Social, Dina Mayimona, a assumir um papel mais activo na prevenção e no combate à violência contra a criança, através da divulgação de informação responsável, promoção da cultura de denúncia e sensibilização das famílias e comunidades.
O apelo foi feito durante a abertura do seminário de capacitação sobre “O papel transformador da comunicação na prevenção e resposta da violência contra crianças”, iniciativa do Instituto Nacional da Criança (INAC), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a fim de reforçar as competências dos profissionais da comunicação social na abordagem de matérias relacionadas com a protecção dos direitos da criança. Durante o discurso de abertura, a secretária de Estado considerou a comunicação social um parceiro estratégico das políticas públicas de protecção da criança, destacando a capacidade destes de informar, educar, sensibilizar e influenciar comportamentos. “A criança não é objecto de uma notícia. É sujeito de direitos”, afirmou, defendendo que os jornalistas devem colocar sempre o interesse superior da criança acima de qualquer interesse mediático. A responsável alertou para os riscos da exposição indevida de menores, em especial vítimas de violência, salientando que a cobertura jornalística deve respeitar a identidade, a privacidade e a dignidade das vítimas. O jornalismo responsável, realçou, deve informar sem expor, denunciar sem humilhar e sensibilizar sem explorar a dor. A secretária de Estado destacou, igualmente, a necessidade de combater práticas sociais que contribuem para a normalização da violência, defendendo que a comunicação social pode ajudar a desconstruir preconceitos. Relatório do INACPor sua vez, o director-geral do INAC, Paulo Kalesi, revelou que Angola regista, em média, entre 18 e 20 casos de violência sexual contra crianças por semana, segundo os balanços da instituição. Os números, acrescentou, geram preocupação pelo facto de algumas vítimas terem idades muito baixas e de os supostos agressores serem, frequentemente, pessoas próximas, incluindo familiares. A representante do UNICEF para a área de Programas considerou a violência contra a criança uma realidade preocupante em Angola e no mundo, alertando para as consequências físicas, psicológicas e sociais que podem acompanhar as vítimas ao longo da vida.Cristina Brugiolo defendeu uma comunicação social capaz de quebrar o silêncio, promover a denúncia responsável e informar a população sobre os direitos das crianças. Cuando reafirma compromisso O vice-governador da província do Cuando para o sector Político, Económico e Social, André Nkula, reafirmou, ontem, em Mavinga, o compromisso do Governo local com a promoção, protecção e defesa dos direitos da criança. Ao discursar no acto provincial de implementação do programa “Município Amigo da Criança”, o vice-governador reconheceu que o asseguramento da continuidade do desenvolvimento da recém-criada província do Cuando e melhoria da qualidade de vida das populações a curto, médio e longo prazos, incide na aposta e no investimento actual na infância. O projecto “Município Amigo da Criança”, sublinhou, representa uma iniciativa de elevado alcance social, promovendo uma governação local mais inclusiva, participa e comprometida com a garantia dos direitos da criança e dos adolescentes. “Este encontro assinala o reforço da implementação do projecto, tendo em conta que o mesmo reafirma o compromisso angolano em dar a criança tudo que ela merece para o seu bem-estar em qualquer lugar do país”, disse.


