Morte de efectivo da PIR em Viana leva à detenção do comandante da Esquadra da Vila Azul

Três efectivos da Polícia Nacional, entre os quais o comandante da Esquadra da Vila Azul, no município de Viana, e um efectivo afecto ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) foram detidos, quinta-feira, pelo SIC, por fortes indícios da prática dos crimes de homicídio qualificado, sonegação de cadáver e ocultação de provas, no âmbito da investigação à morte de um efectivo da Polícia de Intervenção Rápida (PIR).
Estes efectivos do Ministério do Interior foram detidos no âmbito da investigação das circunstâncias da morte do efectivo da PIR, Joaquim Afonso Cardoso Gunza, de 33 anos, e de um outro cidadão, por identificar, ocorrido na quinta-feira, 16 de julho deste ano, no Bairro Kikuxi, em Viana, província de Luanda. O porta-voz do SIC-Geral superintendente-chefe Manuel Halaiwa explicou que a investigação levada a cabo, concluiu que o efectivo da PIR foi morto, na parte dianteira do quintal da Esquadra, por disparo de arma de fogo tipo pistola, feito supostamente pelo colega do SIC, um agente de terceiro classe,. Adiantou que no momento da ocorrência, o agente do SIC, que está em fuga, em companhia de um Agente da Polícia já detido e de um amigo também foragido, não estando de serviço, estavam em convívio, de madrugada, num dos bares do Luanda-Sul em Viana. Os mesmos interpelaram o malogrado Joaquim Gunga, que se fazia transportar por um mototaxista e os levaram para o interior da Esquadra da Vila Azul, onde, no desentendimento na hora de fazer descer as vítimas, ocorreu os disparos contra as duas vítimas, que morreram no local. Manuel Halaiwa explicou que as mortes foram presenciadas por efectivos da Polícia, incluindo o Comandante da Esquadra da Vila Azul, um subinspector, o chefe de pelotão e um 1.º subchefe, graduado de serviço, que nada fizeram para conter a acção injustificada,o que os levou a detenção. O porta-voz explicou que os dois cadáveres foram transportados pelo efectivo do SIC até ao Bairro Belo Horizonte, na via pública, onde foram encontrados a arma de fogo do tipo pistola, um bilhete de identidade, uma carteira de bolso com passe da Polícia e uma motorizada Kawasaki preta, sem matrícula. A investigação recorreu às câmaras de vigilância na localidade, que ajudou na identificação da viatura particular dos autores usados na acção. O porta-voz do SIC referiu que os efectivos da Polícia já detidos, e outros por deter, estão envolvidos no encobrimento do crime, porque não reportaram a ocorrência, e com o agravante de não terem tomado medidas adequadas contra os autores. Para além do procedimento criminal, foi instaurado processo disciplinar, para tomada das medidas, sendo que os detidos serão presentes ao Ministério Público para legalização da detenção, enquanto as diligências prosseguem para deter outros implicados. “O SIC reafirma o seu compromisso com a verdade e a justiça, garantindo que a conduta dos seus efectivos deve ser sempre exemplar e a actuação profissional, quer estejam em serviço ou na vida particular, respeitando sempre os direitos e liberdades dos cidadãos, pois a violação destas regras é passível de sanções severas, que vão até à expulsão”, disse.


