Líderes religiosos e autoridades tradicionais apelam ao respeito pelos mortos e à preservação dos cemitérios, numa altura em que Angola assinala, esta segunda-feira, 2 de Novembro, o Dia dos Finados, data dedicada à memória e homenagem aos fiéis defuntos.
Na província do Moxico, a vandalização de cemitérios tem despertado preocupação entre as autoridades e as comunidades religiosas, que condenam a destruição de campas e outros actos de desrespeito pelos locais de sepultamento. Os responsáveis defendem que os campos santos devem ser preservados e tratados com dignidade, por representarem espaços de memória para as famílias.
A preocupação estende-se a Luanda, onde a Administração do Cemitério da Mulemba denuncia a profanação de campas e a venda desordenada de produtos nas imediações do recinto. O administrador, Hélio Semedo, apelou aos cidadãos para adoptarem comportamentos de respeito e civismo durante as visitas aos seus familiares falecidos.
O Arcebispo Metropolitano de Luanda, Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, considera que o respeito pelos mortos representa também uma expressão de respeito pelos vivos. Numa reflexão sobre o significado do Dia dos Fiéis Defuntos, o prelado destacou a saudade, a memória e a gratidão como elementos fundamentais da relação das famílias com aqueles que partiram.
Na mesma perspectiva, o padre Rufino Tchitwe já chamou a atenção da sociedade para a necessidade de respeitar os cemitérios e as pessoas falecidas, condenando os actos de vandalismo praticados nos campos santos.
Entretanto, nos arredores da vila de Catete, província de Icolo e Bengo, as autoridades estão a intervir no bairro Domingos João, onde existem sepulturas construídas junto às residências. A situação, associada a práticas culturais de algumas famílias, levanta preocupações relacionadas com a saúde pública e a organização dos espaços habitacionais.
O Dia dos Finados é assinalado a 2 de Novembro e constitui, sobretudo para os cristãos, um momento de oração, homenagem e recordação dos familiares e amigos falecidos. A data é tradicionalmente marcada por visitas aos cemitérios, limpeza das campas e deposição de flores.
Os apelos das autoridades e dos representantes religiosos colocam em evidência a necessidade de maior responsabilidade na conservação dos cemitérios, para que estes espaços continuem a cumprir a sua função de repouso dos mortos e de memória das famílias.




