O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Dom José Manuel Imbamba, defende que o memorial em homenagem às vítimas dos conflitos armados em Angola deve servir de instrumento de reflexão histórica e ajudar as novas gerações a compreender as consequências da guerra, de modo a evitar que o País volte a percorrer um caminho de sofrimento e destruição.
A posição foi manifestada este domingo, 8, pelo líder da Igreja Católica em Angola e São Tomé durante a missa de encerramento do Jubileu Diocesano e das ordenações sacerdotais, realizada na Diocese do Dundo, província da Lunda-Norte.
Na ocasião, Dom José Manuel Imbamba considerou a inauguração do memorial um gesto de profunda dignidade e de recuperação da memória histórica, defendendo que o espaço deve levar os angolanos a reflectir sobre os efeitos dos conflitos armados e a importância da preservação da paz.
O presidente da CEAST afirmou que a guerra representa a pior escolha que um povo pode fazer e apelou ao envolvimento dos cidadãos e das instituições na defesa deste bem comum, através do patriotismo, da união, da reconciliação e da misericórdia.
Para o responsável religioso, é necessário transformar a paz e a reconciliação num verdadeiro modelo de esperança e fraternidade, capaz de inspirar outros povos e impedir que Angola volte a enfrentar os horrores dos conflitos armados.
Na mesma intervenção, Dom José Manuel Imbamba chamou a atenção para os desafios sociais que continuam a afectar as populações, apesar dos investimentos realizados na construção de infra-estruturas, expansão da electricidade pública e disponibilização de serviços essenciais.
O prelado considerou que as necessidades dos cidadãos continuam superiores às soluções alcançadas, manifestando particular preocupação com o desemprego juvenil e a precariedade laboral, situações que deixam muitos jovens sem perspectivas de melhoria das condições de vida.
Dom José Manuel Imbamba alertou ainda para a situação das comunidades mais recônditas do País, que permanecem distantes das oportunidades de desenvolvimento e, em muitos casos, vulneráveis à manipulação e instrumentalização.




