A tradicional peregrinação arquidiocesana ao Santuário de Nossa Senhora do Monte encerrou no último domingo com a ordenação de sete sacerdotes e nove diáconos. Os novos ministros religiosos chegam para reforçar a missão de evangelização e a assistência pastoral na província do Huambo.
Considerada a maior manifestação religiosa da região, a peregrinação ocorreu entre os dias 14 e 16 de Agosto e reuniu mais de 45 mil fiéis. Durante o evento, a multidão de devotos uniu-se em oração pelas famílias, pela manutenção da paz no país e pelas principais causas que afectam a sociedade actual.
A cerimônia de encerramento contou com a presença do governador do Huambo, Pereira Alfredo, e da ministra da Educação, Érika de Carvalho Aires.
Durante a homilia, o arcebispo do Huambo, Dom Zeferino Zeca Martins, exortou os recém-ordenados a exercerem o ministério com humildade, espírito de escuta e dedicação à formação contínua. O prelado destacou a fraternidade presbiteral como um princípio fundamental para uma vida consagrada autêntica. Segundo o arcebispo, o sacerdote deve ser, acima de tudo, um intercessor do povo na caminhada cristã, assumindo a missão de servir os mais necessitados e de confortá-los na fé.
Dom Zeferino Zeca Martins lembrou aos novos padres que o ministério recebido exige compromisso com Cristo e com a verdade do Evangelho — mensagem esta que liberta o ser humano do pecado, do egoísmo, dos interesses pessoais, da corrupção e da morte.
Por sua vez, o governador do Huambo, Pereira Alfredo, afirmou que a Igreja Católica é uma parceira estratégica do Estado. Segundo o governante, a ordenação dos novos sacerdotes e diáconos beneficia não apenas a instituição religiosa, mas também os fiéis, o Governo Provincial e o país, devido ao forte contributo dos missionários nas acções sociais e na evangelização.
Pereira Alfredo destacou, por isso, o compromisso do Governo do Huambo em continuar a trabalhar para que a Igreja permaneça como parceira estratégica, apoiando as comunidades, sobretudo na assistência às populações mais vulneráveis.
Cuanza-Norte
Mais de oito mil peregrinos católicos provenientes de várias províncias participaram, domingo, na tradicional procissão de velas em homenagem à Nossa Senhora da Vitória, no Santuário Diocesano de Massangano, província do Cuanza-Norte.
A peregrinação decorreu sob o lema “Com Nossa Senhora das Vitórias, conservamos todas as Palavras do Senhor”. A caminhada teve início a cerca de sete quilómetros da histórica vila de Massangano.
Ao longo do percurso, a multidão heterogénea reuniu mulheres grávidas, mães com seus filhos, homens, jovens e adolescentes. O trajecto foi marcado por um ambiente de profunda devoção, preenchido por cânticos, orações e momentos de reflexão.
Para garantir a segurança e o bem-estar dos participantes, efectivos do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros e equipas de saúde acompanharam a procissão, prestando assistência aos peregrinos que apresentaram sinais de cansaço, desidratação ou outras dificuldades.
Testemunhos de fé
Para os peregrinos, a romaria representou uma oportunidade única de agradecimento, renovação espiritual e cumprimento de promessas. Catarina Bartolomeu, vinda da Paróquia de São João Baptista, em Ndalatando, relatou que retornou a Massangano especificamente para testemunhar a sua gratidão pelas bênçãos recebidas entre 2025 e 2026.
Entre as graças alcançadas, Catarina destacou a conclusão do ensino médio, a inserção no mercado de trabalho e a formação em três cursos profissionais. Como testemunho e oferenda, a peregrina levou consigo o diploma e os certificados de capacitação.
Intolerância
No encerramento da peregrinação, o bispo da Diocese do Uíge, Dom Joaquim Nhanganga Tyombe, lamentou a persistência de alguns actos de intolerância política no país.
O prelado considerou preocupante que organizações juvenis, criadas para promover a amizade, a solidariedade, a cidadania e o patriotismo, estejam envolvidas em episódios que classificou como sinais de imaturidade humana, social e política.
O prelado defendeu que a sociedade deve abster-se de comportamentos de ódio, inveja, exclusão e rivalidade, por contribuírem para a divisão de famílias, amizades e comunidades. Diante disso, o líder religioso apelou aos cidadãos por uma profunda mudança de atitude.
* André Brandão | Ndalatando e Isabel Dungula | Lubango




