Em declarações ao Jornal de Angola, o responsável apontou a escassez de espaços adequados, os elevados custos de organização de espectáculos e as dificuldades de acesso ao financiamento como alguns dos principais constrangimentos enfrentados pelos promotores de eventos na região.
Apesar desses desafios, Augusto Keita considerou que o mercado local apresenta sinais de crescimento, impulsionado pela realização de concertos musicais, espectáculos de humor, eventos gospel, teatro e outras iniciativas culturais. Sublinhou, contudo, que a expansão da actividade depende da melhoria das condições de produção e do reforço das oportunidades de investimento.
A insuficiência de recintos apropriados para a realização de espectáculos constitui uma das principais preocupações dos promotores de eventos no Uíge.Augusto Keita explicou que a utilização de espaços adaptados, como o Cine Ginásio, nem sempre permite responder às exigências técnicas e logísticas de determinadas produções, sobretudo as de maior dimensão.
Entre as principais necessidades, destacou a melhoria das condições de som, iluminação, montagem de estruturas, segurança e circulação de espectadores, factores que considera determinantes para a qualidade dos espectáculos e o conforto do público.
Na sua perspectiva, a existência de espaços devidamente equipados permitiria diversificar a programação cultural, atrair artistas de maior projecção e criar condições para a realização de eventos com maior capacidade de mobilização.
Custos elevados aumentam riscos
A contratação de artistas, o aluguer de equipamentos, a montagem de estruturas, a publicidade e os transportes figuram entre as principais despesas inerentes à organização de espectáculos.Segundo o responsável, os custos de produção de determinados eventos podem variar entre dois e três milhões de kwanzas, dependendo da dimensão da iniciativa e das necessidades logísticas.
A contratação de artistas provenientes de Luanda e de outras províncias representa, igualmente, um encargo significativo para os promotores locais, devido às despesas adicionais de deslocação, alojamento e a outras exigências contratuais.
Como exemplo, Augusto Keita referiu que a contratação de um artista cujo cachê ronda os 500 mil kwanzas em Luanda pode elevar-se para dois a três milhões de kwanzas, ou mais, quando se trata de uma actuação no Uíge, dependendo das condições acordadas e dos custos associados à deslocação e à produção.
O promotor salientou que a definição do preço dos bilhetes constitui outro desafio, uma vez que os organizadores precisam de encontrar um equilíbrio entre os custos de produção e a capacidade financeira do público.
Acrescentou que a fraca adesão aos espectáculos pode comprometer a recuperação do investimento, sobretudo quando as despesas são suportadas antecipadamente pelos organizadores.
Público e artistas abrem perspectivas
Apesar dos constrangimentos, Augusto Keita considerou que a adesão do público uijense constitui um sinal encorajador para o desenvolvimento do sector.De acordo com o responsável, o evento da KajimangaEntertainment, que registou menor participação, reuniu cerca de 900 pessoas, número que apontou como referência da capacidade de mobilização da empresa.
O promotor destacou, também, a aceitação dos artistas locais, entre os quais Bana Uíge e a Turma de Mano Serafim, considerando que a sua participação nos espectáculos contribui para ampliar a visibilidade dos talentos da província e criar novas oportunidades de actuação.
Para Augusto Keita, a valorização dos artistas locais deve constituir uma das prioridades dos promotores, por permitir aproximar a programação cultural da comunidade e estimular o desevolvimento da produção artística na região.
O responsável manifestou, igualmente, interesse em trazer ao Uíge músicos nacionais como Matias Damásio, Paulo Flores e Yuri da Cunha, entre outros. Reconheceu, no entanto, que a concretização desses projectos depende dos custos de contratação, da disponibilidade dos artistas e da capacidade financeira dos organizadores.
Parcerias reforçam capacidade financeira
O acesso ao financiamento continua a ser um dos principais desafios para a realização de espectáculos na província. Para contornar essa dificuldade, a KajimangaEntertainment tem recorrido a parcerias com empresas privadas, segundo explicou Augusto Keita.O responsável referiu que alguns acordos envolvem a disponibilização de recursos financeiros mediante condições de retorno previamente estabelecidas entre as partes, permitindo repartir os encargos e viabilizar determinadas iniciativas.
Neste contexto, defendeu um maior envolvimento do empresariado na promoção de espectáculos, argumentando que o investimento privado pode contribuir para melhorar as condições técnicas das produções, aumentar a regularidade dos eventos e favorecer a profissionalização dos agentes culturais.
A organização de eventos mobiliza profissionais de diferentes áreas, nomeadamente técnicos de som e iluminação, equipas de montagem, trabalhadores da publicidade, transportadores e pessoal responsável pela bilheteira.Em função da dimensão das iniciativas, a actividade pode beneficiar também taxistas, restaurantes, bares, vendedores e outros prestadores de serviços, criando oportunidades de trabalho temporário e contribuindo para a circulação de dinheiro na economia local.
Para Augusto Keita, esta capacidade de mobilização económica justifica maior atenção dos empresários e das instituições públicas ao sector do entretenimento.
Embora não tenha apresentado dados sobre o número de empregos gerados ou o volume de receitas movimentadas, o responsável considerou que a realização regular de espectáculos pode criar oportunidades para artistas, técnicos e pequenos empreendedores.
Promotor defende diálogo institucional
Augusto Keita defendeu, igualmente, o reforço do diálogo entre os promotores de eventos e as instituições públicas ligadas aos sectores da cultura e do turismo, tendo em vista a criação de melhores condições para o desenvolvimento da actividade na província.
Na sua perspectiva, a disponibilização de espaços adequados, o fortalecimento das parcerias e a criação de incentivos ao investimento privado são medidas que podem contribuir para dinamizar o mercado e ampliar a oferta cultural.
O responsável considerou que a consolidação do sector depende da cooperação entre promotores, artistas, empresas e instituições públicas, bem como da capacidade de gestão financeira e organizativa dos agentes envolvidos.
Perfil
Natural da província do Cuanza-Norte, Augusto Keita, 40 anos, é casado e pai de cinco filhos. Iniciou o seu percurso cultural ainda na juventude, através do teatro, da música e da poesia, tendo desenvolvido, posteriormente, interesse pela organização de espectáculos, actividade que começou a exercer de forma mais estruturada entre 2008 e 2009.
Em Maio de 2019 fundou a KajimangaEntertainment, empresa vocacionada para a organização de espectáculos de humor, concertos musicais, eventos gospel e outras iniciativas culturais. O primeiro evento da empresa realizou-se a 9 de Novembro do mesmo ano, com um espectáculo de humor.
Desde então, tem procurado consolidar a presença da empresa no mercado do entretenimento no Uíge, apostando na diversificação da oferta cultural e na valorização dos artistas locais.
Victor Mayala | Uíge




