O Centro de Investigação Científica Samayongue lançou, sexta-feira, em Luanda, a oitava edição da revista Samayongue, que reúne mais de 40 artigos científicos ligados, entre outras áreas, à Engenharia e às Ciências da Saúde, numa iniciativa que visa promover a produção científica e valorizar o trabalho de investigadores, docentes e estudantes.
O lançamento da nova edição ficou igualmente marcado pela apresentação dos vencedores da primeira edição do Prémio Samayongue de Investigação, iniciativa destinada a reconhecer trabalhos científicos e projectos inovadores desenvolvidos em diferentes áreas do conhecimento.
A nova edição da revista destaca-se pela participação de engenheiros, professores, doutores e mestres, reforçando o compromisso da publicação com a divulgação do conhecimento científico e a promoção da investigação no país.
Durante a apresentação, os responsáveis sublinharam a importância do cumprimento rigoroso das normas de publicação, incluindo os requisitos técnicos e a utilização do modelo de submissão definido pela revista. Defenderam, igualmente, que a produção científica deve obedecer a critérios de qualidade, fundamentação e rigor, não devendo estar limitada à necessidade de progressão na carreira académica.
Biblioteca digital conquista primeiro lugar
Entre os trabalhos distinguidos na primeira edição do Prémio Samayongue de Investigação, destacou-se um projecto desenvolvido por investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto (UAN), ligado à criação de uma biblioteca digital para reunir e preservar os trabalhos académicos produzidos na instituição.
Ernesto, engenheiro de minas e membro do Centro de Teledetecção e Gestão dos Recursos Naturais da Faculdade de Engenharia da UAN, considerou que a conquista representa um ganho importante para a universidade, em particular para o Departamento de Engenharia de Minas.
Segundo o investigador, o projecto procura responder às dificuldades relacionadas com a identificação de plágios e a duplicação de trabalhos académicos, através da criação de uma base de dados digital que permita agrupar e consultar a produção científica da universidade.
Numa primeira fase, a iniciativa está direccionada para os trabalhos produzidos no Departamento de Engenharia de Minas, com a perspectiva de contribuir para a prevenção do plágio nos diferentes níveis de formação, desde a licenciatura até ao mestrado e doutoramento.
Ernesto considerou que a distinção representa também um incentivo à retoma e ao fortalecimento da investigação científica na instituição, manifestando a intenção de continuar a desenvolver soluções capazes de responder aos desafios do ensino superior.
O investigador enalteceu ainda a iniciativa Samayongue, defendendo que outras instituições devem seguir o exemplo, de modo a incentivar os jovens a desenvolverem projectos científicos e a contribuírem para a resolução de problemas da sociedade.
Estudantes desenvolvem produtos para problemas de pele
Outro dos trabalhos distinguidos foi desenvolvido por estudantes do Instituto Superior Politécnico Catangoji, que conquistaram o segundo lugar com uma linha de produtos destinada ao tratamento da pitiríase versicolor, uma infecção superficial da pele também conhecida popularmente como pano branco.
Isânia dos Prazeres Emanuel, estudante da instituição, explicou que o projecto é constituído por sabonete, pomada e tónico, tendo surgido no âmbito da disciplina de Bioquímica, na sequência de um desafio lançado pela docente para desenvolver uma solução relacionada com um problema concreto da sociedade.
A estudante explicou que o trabalho resultou de um processo de investigação e de vários testes, tendo manifestado satisfação pelo reconhecimento alcançado na competição.
Segundo Isânia dos Prazeres Emanuel, a equipa sentiu que tinha cumprido o seu dever, independentemente do resultado, por ter desenvolvido e testado os produtos e por continuar empenhada em aperfeiçoar a solução.
A estudante revelou ainda que o grupo já criou uma empresa destinada à produção de cosméticos e dermocosméticos e que está a tratar dos procedimentos necessários para o enquadramento e registo da iniciativa junto das entidades competentes.
A investigação demonstra, segundo a estudante, a importância da ligação entre o ensino, a investigação aplicada e o empreendedorismo, permitindo transformar conhecimentos adquiridos em contexto académico em soluções com potencial de aplicação prática.
Outros projectos reconhecidos
A primeira edição do Prémio Samayongue de Investigação distinguiu igualmente trabalhos de outras instituições de ensino superior, abrangendo diferentes áreas do conhecimento.
De acordo com as informações apresentadas durante o evento, o ISPTEC recebeu duas distinções, enquanto Kalandula e a Faculdade de Minas da Universidade Agostinho Neto também figuraram entre as instituições premiadas. O Instituto Técnico de Saúde João Paulo II foi igualmente distinguido, com um projecto desenvolvido por estudantes finalistas da área de Análises Clínicas.
O trabalho apresentado pelos estudantes do ISPTEC relacionado com o desenvolvimento de um creme a partir da folha do tomateiro foi apontado entre os projectos distinguidos, assim como uma proposta associada à aplicação de conhecimentos de Química na área automóvel.
Já os finalistas do Instituto Técnico de Saúde João Paulo II apresentaram uma proposta de integração de sistemas de avaliação da saúde, com o objectivo de contribuir para a melhoria dos processos de análise e acompanhamento.
Nova edição do prémio já está aberta
No quadro da continuidade da iniciativa, a organização anunciou o lançamento da segunda convocatória do Prémio Samayongue de Investigação, cujo período de candidatura se estende até 2027, dando aos interessados seis meses para a apresentação dos respectivos trabalhos, segundo as informações divulgadas.
Os projectos serão avaliados por um júri constituído por professores catedráticos angolanos e estrangeiros, a quem caberá apreciar a qualidade científica, a originalidade e o potencial das propostas concorrentes.
Com a publicação da oitava edição da revista e a realização do prémio de investigação, o Centro de Investigação Científica Samayongue pretende reforçar a divulgação do conhecimento, incentivar a produção científica nacional e criar oportunidades para que estudantes e investigadores apresentem soluções inovadoras para os desafios do país.




