O Sindicato Nacional dos Professores, SINPROF, admite suspender a greve caso o Governo assegure a concretização das reivindicações da classe e seja alcançado um novo entendimento sobre os dois pontos que continuam a dividir as partes.
A posição foi manifestada esta terça-feira pelo secretário-geral do SINPROF, Admar Ginguma, em declarações à Rádio Correio da Kianda, no segundo dia da paralisação nacional dos professores.
Segundo o sindicalista, o SINPROF e o Governo conseguiram entendimento sobre nove pontos, mas continuam sem acordo em relação a duas matérias consideradas estruturantes.
“Nós nos entendemos sobre os nove pontos, mas não nos entendemos nos dois pontos estruturantes. Para nos entendermos, temos que voltar a conversar e o Governo garantir que vai materializar as exigências dos professores”, afirmou.
Admar Ginguma explicou que a eventual suspensão da greve dependerá de um compromisso concreto do Executivo, esclarecendo que o sindicato pretende primeiro alcançar um entendimento e, posteriormente, acompanhar a execução dos compromissos assumidos.
“Se isso acontecer, estarão assim reunidas as condições para a suspensão da greve e depois vamos aguardar a materialização”, disse.
O secretário-geral do SINPROF sublinhou ainda que a materialização das reivindicações não terá necessariamente de ocorrer no mesmo dia em que for alcançado o entendimento.
“Porque a materialização não é no dia do entendimento. O que nós estamos a exigir é entendimento para depois vir a materialização”, esclareceu.
A greve nacional dos professores entrou esta terça-feira no segundo dia, depois de ter iniciado na segunda-feira, 21 de Setembro. A primeira fase da paralisação está prevista até 15 de Outubro.
De acordo com Admar Ginguma, até ao momento da declaração à Rádio Correio da Kianda, o sindicato não tinha recebido qualquer contacto do Governo para a retoma das negociações.
“Infelizmente, não. Até aqui, não”, afirmou, acrescentando que, na ausência de contactos, o SINPROF continua a assegurar a manutenção e fiscalização da greve.
O sindicato tem defendido que os principais pontos de divergência estão relacionados com a progressão na carreira dos agentes da educação e o nivelamento das carreiras e gestão do perfil académico.
Por sua vez, o Executivo sustenta que várias reivindicações já foram cumpridas ou estão em fase de execução. O Ministério da Educação afirma, nomeadamente, que as matérias relacionadas com as promoções dispõem de dotações financeiras e que estão previstas medidas para actualizar categorias de agentes da educação.
A ausência de novo entendimento mantém, assim, a paralisação em curso, enquanto o SINPROF aguarda uma eventual retoma das negociações com o Governo.



