O Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda) está de regresso após 10 anos de interrupção, prevendo a exibição de mais de 100 filmes entre produções nacionais e internacionais.
Em conferência de imprensa realizada quinta-feira na Cinemateca Nacional, o coordenador de Comunicação do Festival, Claudino Fonseca, sublinhou que a programação desta 8.ª edição aposta fortemente na valorização do cinema angolano, na formação de profissionais e na aproximação do público à sétima arte.
Segundo o responsável, o evento tem registado uma forte adesão, tendo a sessão de abertura contado com mais de 600 espectadores e duas salas completamente lotadas.
Na ocasião, o público pôde assistir ao documentário “Amílcar: When Nigeria Happens” e ao filme “Variations on a Theme”.
A agenda do festival estende-se por vários pontos da capital dopaís e combina exibições cinematográficas com debates, sessões infantis e oficinas de capacitação técnica.
Entre as acções formativas direccionadas a profissionais, poetas e escritores do sector Audiovisual, destacam-se a oficina de guionismo para realizadores, orientada por Fernanda Polacow, e o laboratório “Corpo e Poema”, ministrado por Licínio Januário.
No âmbito da programação infantil, o Centro de Ciência de Luanda acolheu as sessões “Kia’Ndengue”, dedicadas à exibição de produções de animação realizadas localmente.
Entre os destaques do estival, consta a apresentação do documentário “Amílcar”, de Miguel Hik. A obra, que retrata a história e o legado de Amílcar Cabral, foi seguida por uma conversa aberta entre o realizador e o público sobre os bastidores e o processo de filmagem.
A sessão especial “Pai e Filho”, realizada no Cine-Teatro Nacional, reuniu duas obras emblemáticas: “A Vida de uma Zungueira”, de Henrique Costa Júnior, e “Assaltos em Luanda”, de Henrique Narciso (conhecido como Teta Lando).
Para o coordenador de Comunicação do certame, Claudino Fonseca, a diversidade das obras em cartaz valoriza a identidade cultural angolana e conecta diferentes gerações de cineastas.
O responsável sublinhou que o cruzamento entre produções nacionais e internacionais é uma oportunidade ideal para despertar o interesse do público pelo cinema feito em Angola, garantindo maior visibilidade aos realizadores e às narrativas locais.
A vertente competitiva está dividida em três categorias — Longa-metragem, Curta-metragem e Documentário —, nas vertentes nacional e internacional, estando prevista a atribuição de seis prémios.
Para democratizar o acesso às salas, a organização fixou os bilhetes comuns no valor de 1.000 kwanzas por sessão. Estudantes e idosos com mais de 60 anos beneficiam de uma redução de 50%, pagando apenas 500 kwanzas.
Estão também disponíveis passes de acesso integral no valor de 20.000 e 30.000 kwanzas, este último com direito a material promocional e brindes exclusivos.
Além dos espaços com bilheteira paga, o festival adoptou uma estratégia de inclusão social através de sessões gratuitas. Estas exibições comunitárias decorrem no Instituto Guimarães Rosa, no Camões - Centro Cultural Português, no Largo do Kinaxixi e no Centro de Ciência de Luanda, assegurando o acesso à sétima arte a estudantes e cidadãos com menores recursos financeiros.
Programação para hoje
O programa doFIC Luanda destaca, para hoje, a exibição dos filmes “Ghost Elephant”, às 11h00, na Cinemateca Nacional 2, “Put Your Soul on Your Hand and Walk”, às 14h00, na Cinemateca Nacional 3, “Sapeur: A Grande Burla”, às 14h30, no Cinemax Fortaleza, “Meu Semba”, às 15h30, na Cinemateca Nacional 1, e “Aisha Can’t Fly Away”, às 16h00, na Cinemateca Nacional 2.
A programação de hoje inclui também a exibição das longas-metragens “Funk”, às 17h00, no Cinemax Fortaleza, “Lastimável”, às 18h00, no Cine-Teatro Nacional, “Congo Boy”, às 18h30, na Cinemateca Nacional 1, “Belleville Nous Verra Toujours Danser”, às 20h00, na Cinemateca Nacional 3, “O Profeta”, às 20h30, no Cinemax Fortaleza, “One Woman One Bra”, às 20h30, no Cine-Teatro Nacional, “O Grande Kilapy” e “Call of My Life”, às 20h30, na Cinemateca Nacional 1.
Cinemateca de Luanda desafia a preservação do património
A restauração, a conservação e a digitalização do Património Cinematográfico nacional constituem os principais objectivos de um projecto apresentado ao Ministério da Cultura, para a recuperação e modernização da Cinemateca de Luanda, destacou, na quinta-feira, em Luanda, o director-geral da Agência Nacional das Indústrias Culturais e Criativas de Angola (ANICC), Asdrúbal Rebelo.
Segundo o responsável, a iniciativa conta com o apoio de França e visa melhorar as condições de preservação do acervo cinematográfico, bem como facilitar o acesso do público às obras que integram a memória audiovisual do país.
Asdrúbal Rebelo fez estas declarações à margem da exibição do filme “Sambizanga”, de Sarah Maldoror, integrada na VIII edição do Festival Internacional de Cinema de Luanda, que decorre até segunda-feira.
O projecto enquadra-se nos esforços de recuperação e modernização dos recursos técnicos da Cinemateca, instituição que desempenha um papel relevante na conservação e divulgação do Património Cinematográfico Nacional.
Por sua vez, a embaixadora de França em Angola, Sophie Aubert, enalteceu os esforços do Executivo angolano na modernização da instituição, destacando o apetrechamento com equipamentos modernos e a existência de salas destinadas à exibição cinematográfica.
Maria Hengo e Mário Cohen




