Num mundo cada vez mais marcado pelo avanço tecnológico e pela crescente influência da Inteligência Artificial, a necessidade de fortalecer as relações humanas ganha particular relevância.
Neste contexto, as instituições católicas de Ensino Superior apostam na arte como instrumento de promoção da empatia por meio da primeira edição da Trienal de Artes.
Inaugurado na última quinta-feira, no Pólo do Palanca da Universidade Católica de Angola (UCAN), o evento propõe uma profunda reflexão sobre a humanização da sociedade e o respeito pela condição do outro.
A inauguração do evento contou com a presença do ministro da Cultura, Filipe Zau, do antigo Vice-Presidente da República Bornito de Sousa, do arcebispo de Luanda, Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, e da vice-reitora da UCAN, Maria de Assunção, além de outras individualidades do Executivo e da Igreja Católica.
A exposição decorre até ao dia 20 de Dezembro sob o lema “Exercícios de empatia: Ubuntu”.
Na cerimónia de abertura, o ministro Filipe Zau destacou que a Trienal de Artes das Universidades Católicas é uma oportunidade soberana de valorização cultural, que contribui directamente para uma educação mais integrada, humanizada e solidária.
O governante felicitou a iniciativa por aproximar a criação artística do espaço académico e da sociedade civil. Na sua visão, a arte actua como uma linguagem universal e um instrumento indispensável na promoção da empatia e na transformação social.
“É uma perspectiva que se enquadra na filosofia Ubuntu, sintetizada na expressão ‘eu sou porque nós somos’. Está em consonância com os princípios da educação intercultural”, declarou.
O corte da fita e a inauguração da exposição, que reúne 104 artistas de várias nacionalidades, foram conduzidos pelo arcebispo de Luanda, Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias.
Na ocasião, o prelado sublinhou que, ao acolher a Trienal de Artes, a UCAN se afirma não apenas como um centro de difusão do conhecimento científico, mas também como um farol de humanismo, diálogo multicultural e promoção da dignidade humana através da cultura.
Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias destacou ainda a relação secular entre a Igreja Católica e as artes, que remonta às origens do cristianismo, caracterizando-a como uma ligação profunda de intimidade intercultural e espiritual.
“A Igreja encontra na arte uma linguagem para traduzir o invisível, dar forma ao mistério e aproximar o coração humano da beleza de Deus”, afirmou.
Por outro lado, o curador-geral da Trienal, Nuno Crespo, convidou o público a aderir em massa ao evento, que decorre até 20 de Dezembro e reúne diversas modalidades artísticas, como pintura, escultura, performance, cinema e instalação.
A exposição tem como sede central o edifício da UCAN, no Palanca, onde estará exposta a maior parte das obras.A actividade é promovida pelo Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé e enquadra-se no espírito da encíclica “Magnifica Humanitas”. No documento, o Papa Leão XIV afirma que a Inteligência Artificial pode até simular a empatia, mas é incapaz de compreendê-la, por não penetrar no horizonte afectivo, relacional e espiritual só próprio do ser humano.




