O governador provincial do Cubango, José Martins, apelou, em Menongue, aos escritores, académicos e investigadores a produzirem mais livros sobre a identidade cultural do povo Nganguela, por considerar ainda insuficiente o número de obras dedicadas ao estudo e à divulgação da História, dos costumes e das tradições locais.
José Martins, que falava durante o lançamento da segunda edição do livro “O Mundo Cultural dos Nganguelas”, salientou que, apesar dos contributos já existentes, há ainda muito por investigar e documentar sobre a realidade cultural dos diferentes subgrupos étnicos, incluindo os que habitam nas zonas limítrofes com as Repúblicas da Namíbia e da Zâmbia.
O governante considerou que a produção científica e literária sobre esta matriz identitária deve ser intensificada, de modo a preencher as lacunas existentes no conhecimento da sua História e diversidade cultural, tendo em conta que uma parte significativa dos saberes ancestrais continua a ser transmitida essencialmente por via da tradição oral.
Por isso, defendeu, a realização de pesquisas mais abrangentes e rigorosas, capazes de contribuir directamente para o resgate, a valorização e a preservação das tradições, dos costumes e das línguas locais, enquanto elementos fundamentais da identidade e da memória colectiva das comunidades.
O governante incentivou igualmente os investigadores a aprofundarem os estudos de campo, de forma a assegurar que as próximas publicações integrem outras experiências, interpretações e perspectivas culturais, sobretudo das comunidades que vivem fora das actuais fronteiras nacionais, nas regiões vizinhas da Namíbia e da Zâmbia.
A obra “O Mundo Cultural dos Nganguelas”, reconheceu, constitui um contributo de pendor marcante para a compreensão do Património Histórico e Antropológico regional. Todavia, considerou que o trabalho de documentação cultural deve ter uma continuidade afincada, envolvendo instituições académicas, investigadores, autoridades tradicionais e as próprias comunidades que carregam a herança da ancestralidade.
Por outro lado, José Martins reconheceu o papel histórico da Igreja Católica na preservação e valorização das línguas nacionais, através de meritórias iniciativas de tradução da Bíblia, dos cânticos e de outros materiais utilizados nas celebrações e actividades religiosas, considerando que estas acções facilitam a inclusão linguística e reforçam a unidade entre os diferentes grupos culturais.




