O quadro intitulado “O Meu Primeiro Tesouro”, do pintor Moyoweno, foi leiloado por 1.710.000 kwanzas, no decorrer da Gala dos Cavalheiros, realizada, no fim-de-semana, pela Aldeia de Crianças S.O.S Lubango.
Dois elementos principais compõem a obra, estando, no primeiro plano, uma silhueta de um urso, em tons castanho, olhando para cima em que se vê um balão azulado, no segundo plano, e dentro do mesmo a mão de uma criança, em tons de cinza, a segurar o urso.
Segundo o autor, trata-se de uma pintura surrealista, sob a técnica acrílico sobre tela, que simboliza a inocência da criança, sem a noção de riqueza nem de pobreza. Por outro lado, a pintura espelha que todas as crianças têm um sonho.
O artista plástico, com mais de 25 anos de carreira, elaborou a pintura no mesmo dia, enquanto decorria a gala, em que foram vendidas dezenas de livros, no género romance, “A Novinha”, do escritor Ja Jamba, cujas verbas foram também revertidas para os projectos da Aldeia de Crianças S.O.S Lubango.
Sob o lema “A Filantropia move o Mundo”, a gala teve a duração de quatro horas e contou com animação cultural do humorista Symbha Whambhaw, do violinista Tavares Bichopa, do cantor Eurico Livongue e dos bailarinos do grupo Milénio Cultural.
O projecto existe desde 1996, e atende 286 famílias e mil e 659 crianças, na cidade do Lubango. Além da Huíla, há em Benguela e no Huambo.
Ao discursar para mais de 150 convidados, a directora da Aldeia de Crianças S.O.S Lubango, Débora Firmino, apelou à sensibilidade dos cidadãos para que adiram às acções de filantropia e que peçam sempre contas em relação às doações que fazem, pois, “é um direito saberem como tem sido aplicado o vosso dinheiro e é uma obrigação nossa dar a conhecer como se tem gastado cada centavo do dinheiro doado”.
A filantropia, destacou, está voltada para o desenvolvimento, enquanto a caridade serve para atender uma necessidade urgente, “caridade é algo limitado, mas, a filantropia, que apelamos, está relacionada com resultados a longo prazo e trás vários benefícios para a comunidade, gera renda”.
Embora tenha manifestado uma insatisfação pela fraca adesão dos governantes e políticos convidados, a directora mostrou-se, no fim da gala, feliz pelas doações arrecadas no dia e fez um resumo em forma de balanço sobre as necessidades mensais para cada criança, avaliada em 42.635 kwanzas.




