A Barragem do Luachimo, na província da Lunda-Norte, regista, neste momento, uma capacidade de produção de energia superior ao consumo local.
O superávit significa que a infra-estrutura pode atender mais três municípios com a extensão territorial similar aos do Chitato, Dundo e Mussungue.
Estes dados foram avançados ao Jornal de Angola pelo director do Aproveitamento Hidroeléctrico do Luachimo.
Ernesto Milto da Costa disse que os municípios do Chitato, Dundo e Mussungue representam o consumo de apenas 50 por cento da capacidade total instalada no aproveitamento hidroeléctrico.
Dado o crescimento urbano da população e de infra-estruturas registados na província, em 2016, iniciou-se o projecto de construção de uma nova central que terminou com o aumento da capacidade para mais 28 megawatts de energia. A acção elevou para 36 megawatts de energia e os três municípios estão a consumir apenas 16 megawatts.
O director do Luachimo detalhou que o processo de modernização da barragem introduziu, igualmente, tecnologia de ponta, substituindo a manutenção electromecânica para sistemas electrónicos, através de consolas automáticas no sistema.
Questionado sobre o que falta para que a energia possa chegar aos municípios do Cambulo, Canzar, Lôvua e Lucapa, explicou que a extensão da rede eléctrica para estas localidades se insere no âmbito de uma estratégia nacional que está a ser conduzida pelo
Governo central.
O alcance da referida meta implica o envolvimento de um conjunto de instituições que devem obedecer uma estratégia gizada a partir do Governo central.
Segundo referiu, o plano de melhoria no fornecimento de energia eléctrica à província contempla, além da energia do Luachimo, as centrais térmicas do Lucapa, Cafunfo e Cuango, que já registam um grau de execução estimado em 80 por cento.
Para uma melhor resposta à demanda, o responsável considera necessário interligar os sistemas eléctricos, a fim de garantir maior fiabilidade e robustez.
No entender do responsável, interligando os sistemas será possível atender os municípios do Lôvua, Cambulo, Canzar e Lucapa, bem como os outros municípios que precisam emigrar para uma energia amiga do ambiente.
Ernesto da Costa acredita que esta meta pode ser alcançada a curto e médio prazo, porque, a nível da província da Lunda-Norte, já existem iniciativas destinadas a fazer levantamentos para impulsionar a estratégia de transportar energia do Dundo para as outras localidades.
Quanto à distribuição de energia eléctrica para as localidades próximas às barragens que ainda enfrentam dificuldades no fornecimento de energia explicaram que decorrem da ausência de um projecto de distribuição concreta para estas localidades e acredita que pode vir a se ultrapassar nos próximos dias.
O director da Barragem do Luachimo disse, ainda, que os três municípios que integram a sede do Dundo registam uma estabilidade em termos de produção de energia eléctrica 24 horas sem interrupção. Entre os desafios do sector, o responsável apontou a conclusão dos parques fotovoltaico do Lucapa com uma capacidade de 12 megawatts de energia eléctrica. Além desta, estão previstos outros parques fotovoltaicos nos municípios do Cambulo, Cuango e Cafunfo estes dois últimos com um nível de execução de quase 80 por cento.
Na lista dos municípios que podem vir a beneficiar de outros projectos para elevar os níveis de produção de energia eléctrica amiga do ambiente na província constam os municípios de Xamuteba, Luremo, Caungula, Capenda Camulemba, Lubalo, Cuilo, Lôvua, Camaxilo, Canzar e Capaia.
O responsável explicou que a província precisa de novos estudos mais aprofundados para compreender o potencial da bacia hidroeléctrica da Lunda-Norte e determinar o potencial de outros rios que podem se juntar ao Luachimo na produção de energias limpas.
Do ponto de vista hidrológica não existe qualquer preocupação na barragem, porque o rio Luachimo tem um caudal estável que permite gerar energia eléctrica sem qualquer problema. No tocante à manutenção no sistema explicou que são regulares de modo a assegurar a longevidade do sistema.
Actualmente, a barragem conta com 69 técnicos, dos quais 98 por cento são jovens com menos de 40 anos de idade. Em 2024, por exemplo, a província tinha perto de 100 apagões no sistema e, actualmente, estes apagões reduziram para menos de 20 por mês, fruto do empenho e dedicação de uma equipa constituída por jovens angolanos e formados em Angola.
Vandalização
A nível da barragem, não existe qualquer preocupação em termos de vandalização do sistema, no entanto, o fenómeno afecta, sobretudo, o sistema de transporte, assim como a distribuição de energia eléctrica com destaque para os cabos subterrâneos.




