A “onda azul” foi ainda mais avassaladora do que as sondagens previam. Democratas conquistaram tudo o que podiam, à sombra do descontentamento com a guerra do Irão. Mas Trump já ajusta o discurso
Desta vez, as sondagens não falharam. Aliás, talvez tenham falhado, mas por defeito. A vitória dos democratas nestas eleições intercalares foi uma vitória em toda a linha: controlo da Câmara dos Representantes, controlo do Senado e eleição de governadores em estados inesperados como o Texas e o Iowa. Até à noite desta Terça-feira, falava se na possibilidade de uma onda azul; na madrugada desta quarta, era evidente que o que deu à costa foi um tsunami. É uma vitória mais por demérito de Donald Trump do que por mérito dos democratas.
Embora a oposição tenha costurado uma coligação de candidatos escolhidos à medida de cada estado — ora mais ao centro nos locais mais conservadores, ora mais à esquerda em terreno favorável à esquerda —, o denominador comum da eleição foi o voto de rejeição à presidência.
A guerra do Irão e a subsequente escalada dos preços dos combustíveis, combinadas com o impacto das tarifas em grupos como os agricultores e o desagrado com os raides do ICE entre o eleitorado latino, levaram a popularidade de Trump a cair a pique. E, nestas eleições intercalares, os eleitores fizeram questão de demonstrar o seu desagrado, rejeitando muitos candidatos republicanos que tinham recebido o apoio directo do Presidente.
A primeira reviravolta vinda das Carolinas e as viradas na Câmara dos Representantes O primeiro sinal chegou com a vitória na Carolina do Norte de Roy Cooper, governador do Estado durante vários anos que conseguiu roubar o lugar no Se nado aos republicanos.
O adversário, Michael Whatley, tinha si do um dos poucos candidatos republicanos que se tinha mantido firmemente ao lado de Trump. Depois vieram as vitórias de Jon Ossoff (Geórgia) e Chris Pappas (New Hampshire), que permitiram aos democratas respirar de alívio por não terem perdido dois lugares fulcrais dos que controlavam no Senado.
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