O presidente russo discursou na terceira Cimeira Rússia-África, em Moscovo, apresentando o seu país como um parceiro alternativo às antigas potências coloniais do Ocidente.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou aos líderes africanos reunidos em Moscovo que o seu país não pratica a exploração neocolonial do continente africano, ao contrário do posicionamento das antigas potências coloniais do Ocidente. As afirmações foram feitas durante a abertura da terceira Cimeira Rússia-África, evento no qual o governante russo apresentou o Kremlin como um parceiro alternativo e estratégico para o desenvolvimento do continente.
Durante a sua intervenção perante os representantes africanos, o chefe de Estado russo destacou que África se afirma de forma crescente como um dos actores centrais na economia e na política globais. Putin ressaltou contudo que a emergência de uma ordem multipolar não é um processo simples, enfrentando forte resistência da parte de países que recusam aceitar a transformação da realidade internacional.
O líder do Kremlin criticou severamente o que considerou ser uma tentativa activa das nações ocidentais para reconduzir os países africanos à dependência financeira. De acordo com Putin, a imposição de recursos financeiros sob condições consideradas predatórias constitui uma estratégia para travar o desenvolvimento sustentável e a longo prazo das economias da região.
Processamento de matérias-primas e criação de emprego
Ao abordar a presença económica russa no continente, Putin assegurou que as empresas do seu país não se envolvem na exploração espoliadora dos recursos naturais e humanos. Em contrapartida, o presidente russo frisou que as acções de Moscovo visam expandir a capacidade de processamento local das matérias-primas, impulsionando a criação de novos postos de trabalho e a geração de receitas fiscais para os cofres públicos africanos.
A cimeira em Moscovo reuniu delegações oficiais provenientes de 48 países africanos, das quais 22 foram chefiadas directamente pelos respectivos presidentes e chefes de Estado. Na ocasião, o governante russo manifestou a total disponibilidade do seu país para alargar a abrangência geográfica do envio de produtos agrícolas e bens essenciais para o mercado africano.
Abastecimento agrícola e cooperação bilateral
Relativamente à segurança alimentar, Putin revelou que a Rússia forneceu cerca de 13 milhões de toneladas métricas de produtos agrícolas para o continente africano apenas nos primeiros nove meses do presente ano. O compromisso de abastecimento surge num momento em que os conflitos no Mar Negro continuam a perturbar as exportações mundiais de cereais, ao mesmo tempo que as tensões no Médio Oriente afectam a distribuição internacional de fertilizantes.
Paralelamente aos trabalhos gerais da cimeira, o presidente russo programou audiências bilaterais com vários líderes do continente para discutir matérias relativas ao comércio bilateral, cooperação no domínio da segurança, fornecimento de grãos e acordos no sector do armamento. O encontro de alto nível deverá ser encerrado com a aprovação de uma declaração final destinada a consolidar a parceria estratégica entre a Rússia e os Estados africanos.
Com informações de Al Jazeera.




