As obras da Barragem de Caculo Cabaça, no Cuanza-Norte, atingiram os 60% de execução física. A previsão das autoridades indica que o maior complexo hidroeléctrico do país entrará em funcionamento parcial após o primeiro semestre de 2027.
O dado foi avançado, ontem, pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, no final da visita de constatação às obras de construção do Aproveitamento Hidroeléctrico de Caculo Cabaça, acompanhado pelos ministros da Energia e Águas e do Planeamento, assim como de delegações ministeriais da Namíbia, Zâmbia, República Democrática do Congo e da China.
O ministro de Estado para a Coordenação Económica destacou que, por se tratar do maior aproveitamento hidroeléctrico do país, o Governo manterá o acompanhamento rigoroso da execução física e financeira do projecto.
O objectivo é assegurar que as primeiras turbinas entrem em funcionamento já em 2027, gerando electricidade para o consumo interno.
José de Lima Massano anunciou ainda que, numa fase posterior, o projecto vai exportar electricidade para os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). A medida insere-se na estratégia de integração regional e na transformação de Angola num fornecedor de energia de referência no continente.
Desafios
Para o ministro de Estado, a electrificação rural continua a ser um dos grandes desafios do sector, um cenário que começará a mudar com a entrada em funcionamento do Aproveitamento Hidroeléctrico de Caculo Cabaça.
José de Lima Massano detalhou que Angola já atingiu 70% de electrificação urbana, mas reconheceu que ainda há um longo caminho a percorrer para a plena cobertura nacional.
“Nesta altura, não enfrentamos grandes dificuldades e o projecto decorre dentro da normalidade. A nossa meta é gerar a primeira electricidade já em 2027”, assegurou.
O governante acrescentou que a fase seguinte consistirá em atrair investimento privado para garantir a construção de linhas de transporte e subestações, permitindo que os países vizinhos também tenham acesso à capacidade energética de Caculo Cabaça.
Energia para consumo nacional e exportação
O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, informou que a barragem de Caculo Cabaça contará com quatro unidades geradoras de 500 megawatts (MW) cada.
A estrutura vai reforçar a capacidade de produção nacional e criar as condições necessárias para a exportação de electricidade para os países vizinhos.
Segundo o governante, o projecto é uma aposta estratégica para responder ao aumento da procura, impulsionado pelo crescimento populacional, pela expansão industrial e pelo desenvolvimento económico.
A obra regista avanços significativos nas infra-estruturas subterrâneas, na montagem das turbinas e na construção da muralha da barragem, que terá 116 metros de altura.
A primeira unidade geradora deverá entrar em funcionamento em Julho de 2027, seguindo-se a activação faseada dos restantes geradores.
“A conclusão da instalação das quatro máquinas deverá ocorrer cerca de um ano após o início da operação da primeira unidade”, garantiu.
Entre os componentes em fase adiantada, João Baptista Borges destacou a tomada de água, com conclusão prevista para os próximos dois meses, e o corpo principal da barragem, que deverá ser finalizado no primeiro trimestre de 2027.
A subestação eléctrica também foi apontada como uma infra-estrutura crucial para assegurar a integração da energia produzida no Sistema Eléctrico Nacional.
Central ecológica
O empreendimento contempla uma central ecológica para garantir a manutenção de um fluxo contínuo de água no rio, mesmo com a central principal subterrânea em funcionamento.
Segundo o ministro da Energia e Águas, esta estrutura foi instalada próxima à barragem para mitigar os impactos ambientais, preservar a biodiversidade aquática e salvaguardar a subsistência das populações ribeirinhas, sobretudo a actividade da pesca.
A instalação responde às exigências ecológicas do projecto e deverá entrar em operação em simultâneo com as restantes unidades geradoras.
Além do impacto directo na matriz energética do país, a construção da barragem de Caculo Cabaça impulsiona a empregabilidade local.
O projecto conta actualmente com mais de cinco mil trabalhadores, número que poderá ascender aos sete mil até ao fim das obras.
Governo provincial
Por sua vez, o governador do Cuanza-Norte, João Diogo Gaspar, considerou que o projecto representa uma oportunidade para impulsionar o desenvolvimento económico e social, com efeitos multiplicadores que vão além da produção de electricidade.
O governante salientou que a disponibilidade de energia vai favorecer o crescimento dos sectores da Agricultura e da Indústria na região, contribuindo de forma directa para a criação de novas oportunidades de negócios e para a transformação da economia nacional.
Hidroeléctrica vai gerar mais de oito mil gigawatts/ano
O Aproveitamento Hidroeléctrico de Caculo Cabaça, localizado no curso médio do rio Kwanza, no município de Cambambe, Cuanza-Norte, é o maior empreendimento energético em construção em Angola.
O projecto foi desenhado para atingir uma capacidade instalada de 2.172 megawatts (MW) e uma geração média anual de 8.566 gigawatts-hora (GWh).
Os indicadores foram apresentados pelo director do projecto, Augusto Chico, a uma delegação interministerial liderada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, que se fez acompanhar por ministros angolanos e pelos embaixadores da Namíbia, da República Democrática do Congo e da Zâmbia.
Segundo Augusto Chico, a barragem é do tipo gravítica, feita de betão compactado com cilindro (BCC).
Quando concluída, terá uma altura de 116 metros, complementada por uma central subterrânea e dois túneis de restituição, cada um com aproximadamente 5,1 quilómetros de comprimento. Actualmente, a execução física da empreitada está fixada em cerca de 60%.
Após a entrada em operação, o empreendimento será capaz de satisfazer mais de metade das necessidades de fornecimento de energia elétrica do país.O director explicou ainda que a obra utiliza três sistemas inteligentes de betão, correspondentes à britagem e injecção.
Esta tecnologia permite um controlo automatizado, digital e inteligente de todo o fluxo produtivo, desde o processamento de matérias-primas e a fabricação do betão até ao tratamento de fundações.




