Segundo o especialista, embora os partidos da oposição tenham intensificado as actividades de mobilização junto das comunidades e dos seus militantes, essas iniciativas, por si só, não são suficientes para garantir uma mudança do poder político. Para José Rodriguez, o principal desafio continua a ser a falta de uma estratégia clara e de um projecto político sólido.
Na sua avaliação, persiste um défice de organização interna e de debate estratégico no seio dos partidos, factores que comprometem a definição de metas e de uma visão comum para o país. O jurista entende que a oposição ainda não conseguiu estruturar um programa político capaz de traduzir as aspirações da população numa alternativa governativa credível.
“Os partidos querem chegar ao poder e provocar a alternância política, mas o campo de discussão sobre como concretizar essa alternância ainda é bastante ténue e muito distante dos valores que devem sustentar esse processo”, afirmou.
José Rodriguez acrescenta que a mobilização de militantes continua a dominar a agenda política da oposição, enquanto questões como o posicionamento institucional, a comunicação política e a organização interna permanecem insuficientemente debatidas.
“Há uma actividade política intensa, sobretudo na mobilização dos militantes, mas a discussão interna sobre as formas de actuação e de posicionamento político, quer na comunicação social, quer fora dela, ainda revela um défice organizacional”, sublinhou.
O analista alerta ainda para aquilo que designa de “sonolência política” dos partidos da oposição, defendendo que muitas formações apenas intensificam a sua actuação quando se aproxima o período eleitoral. Na sua perspectiva, essa postura pode reduzir as possibilidades de construção de uma alternativa consistente ao actual poder.
As declarações surgem numa fase em que Angola começa a preparar-se para as eleições gerais de 2027, período em que os partidos políticos procuram reforçar a sua presença no terreno e consolidar as respectivas estratégias eleitorais.




