Angola poderá duplicar a sua capacidade de produção hidroeléctrica com a entrada em funcionamento da barragem de Caculo Cabaça, prevista para 2027, um dos principais projectos do Executivo para reforçar a oferta de energia eléctrica e responder ao aumento da procura nacional.
A previsão foi avançada pelo Presidente da República, João Lourenço, durante o discurso sobre o Estado da Nação, apresentado na Assembleia Nacional, no qual destacou os investimentos em curso para aumentar a produção, expandir a rede de transporte e melhorar a distribuição de electricidade no país.
Segundo o Chefe de Estado, a construção do aproveitamento hidroeléctrico de Caculo Cabaça apresenta uma execução física de 30%, estando previsto o início da produção em 2027, com a entrada em funcionamento da primeira turbina. O empreendimento deverá contribuir para elevar a capacidade instalada de produção eléctrica de Angola para cerca de 8.000 megawatts até ao final daquele ano.
Localizado no curso médio do rio Kwanza, o projecto terá uma potência instalada de 2.172 megawatts, distribuída por quatro grupos geradores principais de 530 megawatts cada e uma central ecológica adicional de 52 megawatts.
Actualmente, Angola dispõe de 6.322 megawatts de capacidade eléctrica instalada, contra os 4.659 megawatts registados em 2017. Deste total, 3.231 megawatts provêm da geração hidroeléctrica, que representa a principal fonte de produção de electricidade do país.
A entrada em funcionamento de Caculo Cabaça deverá aumentar significativamente a disponibilidade de energia de origem hídrica, reduzir a pressão sobre outras fontes de produção e reforçar a capacidade de resposta do Sistema Eléctrico Nacional às necessidades das famílias, das empresas e da indústria.
O empreendimento integra a estratégia do Executivo de diversificação da matriz energética, com aposta na produção hidroeléctrica e solar, visando reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e criar condições para o desenvolvimento económico.
Além do reforço da produção nacional, o projecto deverá contribuir para a industrialização, a criação de empregos e o aumento do potencial de exportação de energia eléctrica para os países da região austral de África.
Entretanto, o aumento da capacidade de produção coloca também a necessidade de reforçar as infra-estruturas de transporte e distribuição, de modo a garantir que a energia produzida chegue a mais províncias, municípios, empresas e comunidades.
De acordo com os dados apresentados pelo Presidente da República, a Rede Nacional de Transporte dispõe actualmente de 5.860 quilómetros de linhas e 41 subestações, estando previstos novos investimentos para ampliar a cobertura e reforçar a interligação entre as regiões do país.




